Ashes of Ares – “Well Of Souls” (2018)

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Ashes Of Ares “Well Of Souls” (2018)
ROAR – Rock Of Angels Records
#HeavyMetal#PowerMetal

Para fãs de: Iced EarthSanctuaryEvergreyDemons & WizardsAmor Amarth

Nota: 9,0

Primeiramente tente, mas tente de verdade, desvincular a voz de Matthew Barlow no Iced Earth. Tentou e não conseguiu, certo? Pois é. Não dá! A emotiva, poderosa e deslumbrante voz de Barlow é a “alma” do Iced Earth e qualquer coisa que ele cantar vai nos levar aos áureos tempos de quando estava na banda. Ele pode cantar em ritmo de afoxé que vai nos levar direto para o Iced Earth, não tem como fugir disso.

Pois bem, vamos ao Ashes Of Areas, banda que leva junto com seu ex-parceiro e baixista do Iced Earth, Freddie Vidales, aqui na guitarra. “Wells Of Souls”, segundo álbum da banda, é definitivamente mais intenso, coeso, centrado, dinâmico e técnico que seu ótimo álbum auto intitulado de estreia. Inclusive apostando até mais nos refrões mais bem elaborados e progressivos daqueles que colam na nossa cabeça por conta da letra casando perfeitamente com a melodia. Veja bem, tivemos 4 anos de intervalo entre um e outro, e mesmo a banda excursionando bem pouco por conta dos trabalhos convencionais de seus dois mentores, isso não foi um percalço para que algo “meia boca” fosse lançado, pelo contrário, quando os músicos são acima da média, mesmo longe dos palcos, conseguem fazer música de primeira linha.

“Wells Of Souls” começa logo de cara com um convidado ilustre, Jonah Weingarten (teclado), na belíssima introdução apocalíptica de pouco mais de 1 minuto e 20 segundos em “Consuming the Mana”, lembrando trilhas sonoras fascinantes de filmes de Hollywood, como se estivéssemos numa selva repleta de perigos, perdendo o fôlego e prestes a ser capturado. No decorrer da faixa, lembramos do Pyramaze em “Immortal”, único álbum que Barlow gravou com os dinamarqueses em 2008, com uma acentuação mais pesada e rápida. Reparem nas vocalizações dissonantes e épicos de Barlow por toda faixa, que junto com as guitarras de Freddie formam uma espécie de epopeia bruta metálica.

Vale lembrar que o ex-baterista da banda, Van Williams (Ghost Ship Octavarius e ex-Nevermore), acabou gravando as baterias nesse álbum, e não precisa falar que o cara é um monstro, certo? Aqui um pouco mais contido, mas é um monstro!

A ótima “The Alien”, nos leva quase que instantaneamente ao Iced Earth, num cruzamento entre “The Dark Saga” com “Crucible Of Man”, equilibrando o peso com a interpretação ora emotiva ora agressiva de Barlow. E que solo de guitarra!!! Simplesmente um espetáculo de harmonia!

“Unworthy”, mais ‘dark’ e groovada que as anteriores, trazendo um maior número de riffs pesados e abafados, é uma das melhores do álbum pois mostra o quanto as composições de Barlow e Freddie evoluíram ainda mais nesses quatro anos. Típica música para usarmos como fonte inspiradora na hora das lutas contra nossos demônios internos.

A enigmática e progressiva “Soul Searcher” vem para dar uma acalmada nos ânimos por ser uma das mais lentas do álbum, e nela quem brilha é, adivinhem: Mr. Matthew Barlow. Duvido você não se arrepiar com a voz dele aqui, onde mistura tons mais aveludados com tons mais “agressivos”, mesmo sendo uma faixa mais calma. Mas a “calmaria” acaba logo, e temos a cacetada “Sun Dragon” lembrando um pouco “Ten Thousand Strong” do Iced Earth por conta do grito agudo em seu início. Peso e velocidade na medida certa, daqueles que fazem querer destruir o que vem pela frente! Outro grande destaque do álbum e típica faixa para se fechar um show em alta energia!

“Transcending”, lembra um pouco Amon Amarth e mostra uma faceta mais pulsante dentro do que a banda vem fazendo por conta do andamento e das guitarras. Já a trilogia “Let All Despair”, “In The Darkness” e “Spirit Of Man” é uma verdadeira montanha russa de emoções lembrando passagens climáticas do “Burnt Offerings” (1995) do Iced Earth. Se iniciando com algo mais calmo, nos moldes de “Soul Searcher”, só que mais épico e cheio de energia levando-nos para a segunda melhor de todas as faixas de “Wells Of Souls”, a agressiva e potente “In The Darkness” que do início ao fim é perfeita. Finalizando a trilogia temos “Spirit Of Man”, que mantem o clima só que de forma melancólica como só o Ashes Of Ares consegue fazer, ou seja, usando o peso em favor da melodia.

Freddie Vidales, que também tocou baixo, não só cresceu como guitarrista como, também, consegue sair do complexo Jon Schaffer, apostando sonoridades bem diferentes daquelas criadas pelo ex-parceiro e, com isso, diferenciar SIM as duas bandas.

“Time Traveler”, outra onde o peso se impõe de forma vibrante, com destaque para a bateria de Van Williams, que aqui solta os cachorros mesmo com direito a bumbo duplo e tudo mais. Outra excelente faixa que ao vivo será muito bem vinda.

Lembram que falei do Amon Amarth? Pois bem, “The God Of War” é praticamente um ‘Iced Amarth’ ou ‘Amon Earth’ numa sintonia impressionante. Duvido você não achar isso depois de escuta-la! Sensacional! Eu como grande fã, também, de Amon Amarth, adorei! A melhor de todas, disparada!

Fechando esse grande álbum temos a faixa extra, “You Know My Name”, que é nada mais que um tributo ao falecido cantor Chris Cornell (Soundgarden, Audioslave). Como Barlow e Freddie são grandes fãs dos filmes de James Bond e, logicamente, de Chris Cornell, resolveram fazer esse belo tributo numa versão da trilha sonora de 007 – Casino Royale. Precisa dizer que ficou impecável? Óbvio que não! (risos).

Realmente torço para que a banda faça mais shows ao vivo pelo mundo, pois merece e tem capacidade, talento e alma de sobra para estar num patamar maior.

Para aqueles que achavam que o Ashes Of Ares seria só mais projeto que não daria em nada, sinto-lhes informar que erraram bisonhamente! UP THE ASHES!

Resenha em conjunto com as páginas oficiais brasileiras Iced Earth – Brazil Under Ice e Ashes Of Ares – Brazil Under Ashes.

Johnny Z.

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