
Jon Schaffer’s Purgatory – “Purgatory” (EP) (2018)
Century Media Records
#HeavyMetal, #PowerMetal, #ThrashMetal
Para fãs de: Iced Earth
Nota: 9,0
Se você estava morando em Plutão nos últimos trinta anos, então ainda não sabe que o Purgatory foi o embrião do que veio a ser o Iced Earth em 1988. Enfim, após essa mudança de nome, praticamente TODAS as muitas músicas que a banda tinha já composto foram “descartadas”, algumas reaproveitadas em álbuns posteriores, outras retrabalhadas, reescritas e assim por diante. Os fãs mais ‘diehard’ do Iced Earth conhecem todas essas músicas “esquecidas” através de bootlegs conseguidos com muito suor por ai, e geralmente com qualidades discutíveis. Inclusive, as próprias demos oficiais do Purgatory são hoje praticamente impossíveis de se achar (eu tenho todas, ok?) (risos).
Jon Schaffer, guitarrista e líder do Iced Earth, recentemente voltou a ter contato com seus antigos parceiros depois de quase três décadas distantes e resolveram gravar juntos esse EP. Sim, Jon se reconectou com Gene Adam (vocalista original do Purgatory e também Iced Earth) e Bill Owen (guitarrista original do Purgatory) e juntos regravaram cinco faixas daquele tempo, nunca usadas pelo Iced Earth, sendo quatro delas gravadas oficialmente nas demos oficiais do Purgatory e uma nunca registrada oficialmente. Para a bateria foi chamado Mark Prator, que já gravou um álbum com Iced Earth, bem como com o Unearthed, banda de Gene Adam, Bill Owen, o falecido recentemente Richard Bateman – também ex-Purgatory – e David Abell, também (jesus, quanto também, ex-Purgatory e ex-Iced Earth). Para o baixo foi recrutado Ruben Drake, que já tocou com o Demons & Wizards, outro projeto de Jon Schaffer. Pronto, agora vá tomar o remedinho para dor de cabeça, pois vai ‘piorar’ (risos).
“In My Dreams”, a única verdadeiramente “inédita”, abre o EP de forma assustadora, parecendo que foi tirada de um filme de terror onde o assassino te persegue correndo por escadarias de uma mansão assombrada. O peso das guitarras, leia-se rifferama, se encontra em profusão lembrando os bons e antigos tempos do Iced Earth (ah vá, jura???). Não que hoje não tenhamos isso, mas antigamente a crueza e o sangue nos olhos eram mais evidentes pois todo começo sempre é assim. A voz de Gene Adam, comparando-se com o primeiro e homônimo álbum do Iced Earth, de 1990, parece outra! Impressionante como sua voz ficou mais vibrante, mais empolgante, não tão rasgada como era e, ao mesmo, tempo muito mais potente. Impossível não nos empolgarmos aqui!
Na sequencia temos “Dracula”, gravada oficialmente na demo “Horror Show” (1986), cujo título é o mesmo que uma faixa do álbum “Horror Show, de 2001, do Iced Earth, mas é completamente diferente da mesma”. Pessoal, cuidado que a probabilidade de se ‘bugar’ o cérebro lendo essa resenha é muito grande (risos), Enfim, esta faixa já é “mais conhecida” dos fãs antigos por conta dos bootlegs por aí. Com seu andamento mais balanceado, não foge da proposta assustadora de seu título, nem da sonoridade abordada pela banda antigamente, ou seja, com aquela acentuação bem Heavy Metal e poderosa. Destaque para a voz de Gene que vai de algo mais tranquilo no início a algo bem “tenebroso” durante toda a faixa como se fosse o próprio Drácula vociferando em seus ouvidos numa noite fria e aterrorizante. Não podemos esquecer do brilhante solo de guitarra que aqui dá um ‘up’ sensacional à faixa. Bill Owen e Jim Morris (produtor e guitarrista solo convidado), gravaram solos lindos aqui e por todo o EP!
“In Jason’s Mind” e “Jack” (faixa, também, de mesmo título de uma música do Iced Earth de 2001, mas completamente diferentes), foram previamente gravadas na demo “Psychotic Dreams” (1985) e duplicadas na demo posterior “Horror Show” (1986) (que você já deve saber, é o mesmo nome de um álbum do Iced Earth de 2001, cuidado para não bugar seu cérebro!). Duas faixas bem conhecidas dos fãs, que são verdadeiros hinos aos assassinos/personagens em questão, com muito peso e refrões para se cantar junto, principalmente em “In Jason’s Mind”, que Gene vocifera de uma forma assustadora, sinistra e cortante muitas e muitas vezes causando até calafrios no ouvinte! Mark Prator destruiu aqui! Como esse cara toca bateria!!! Em “Jack”, temos a mão direita características de Jon Schaffer, bem como seus vocais sombrios em conjunto com os agudos vistosos de Gene. Quem gostava das músicas de antigamente, vai gostar ainda mais agora!
Fechando o EP, temos “Burning Oasis”, gravada originalmente na demo de mesmo nome em 1985, e que também tem um nome igual a de uma faixa do Iced Earth presente no álbum “Burnt Offerings” (1995) e nada tem a ver com a mesma. Uma verdadeira ode a porradaria, mesclando ritmos mais cadenciados com cacetadas ímpares tipicamente “jon schaffer”. Um dos melhores compositores e guitarristas base da história do Metal contemporâneo, aceite que dói menos!
Por conta da produção excelente, quem é fã do Iced Earth principalmente antigo e escuta esse EP, tem um deja-vu enorme, pois nos leva diretamente à sonoridade mais crua, mais pesada e mais visceral dos primeiros álbuns, ou seja, uma vibe toda única que só os fãs antigos entendem. Agora, se você pegar o primeiro álbum, ou até mesmo a primeira demo do Iced Earth, “Enter The Realm” (1989), e comparar os vocais de Gene Adam com esse EP vai ter um susto, pois nem parece o mesmo cara cantando! O timbre até tem em certos momentos, obviamente, similaridades, mas a técnica e o crescimento de Gene como músico e vocalista foi gritante (não leve isso ao pé da letra, ok?).
Além de termos a felicidade de ver Jon voltando às suas origens, se reconectando com os antigos parceiros e tudo mais, e sabendo que ele pretende regravar os álbuns antigos com a nova formação do Iced Earth, temos a impressão que Jon, além de deter os direitos das vendas dos discos para a banda e ter mais controle de tal, realmente quer voltar a ter aquela sonoridade mais “metal”, mais “porrada” de antigamente trazidas para os tempos de hoje e gravando-a com qualidade e produção mais bem equipadas em comparação às antigas. Não que elas não sejam boas o suficiente, mas foi o que me pareceu. Tomara.
Execuções brilhantes e músicos excepcionais que nitidamente se divertiram numa gravação de um EP digno de nota, excelente por si só, e que só não leva um 10 pois eu seria muito suspeito, e tudo que escrevi acima iria por água abaixo. Ah, e também deveria ter mais músicas (risos).
Uma pena que David Abell (baixo) e Greg Seymour (bateria), ambos membros originais do Purgatory e Iced Earth, não participaram desse projeto. Seria muito nostálgico!
Torcendo para que esse projeto não fique só nesse EP, pois o Purgatory tem em torno de umas 30 músicas inéditas. Cruzem os dedos. Ok, me estendi, mas foda-se! Quem me conhece e sabe meu envolvimento com o Iced Earth por mais de duas décadas, perdoa! (risos)
Resenha em conjunto com as páginas oficiais Iced Earth – Brazil Under Ice e Purgatory / Pré-Iced Earth.
Johnny Z.





