Auri – “Auri” (2018)

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Auri
 
“Auri” (2018)

Nuclear Blast
#FolkRock#SymphonicRock

Para fãs de: NightwishWithin Temptation

Nota: 10

Troy Donockley e Johanna Kurkela são dois nomes que, nos últimos anos, passaram a orbitar o complexo universo de Tuomas Holopainen, tecladista e cérebro do Nightwish. O primeiro chegou de mansinho ainda no álbum “Dark Passion Play” (2007) e foi ganhando terreno até ser efetivado como sexto membro da banda finlandesa. Já Johanna, a eterna namorada de Tuomas, é dona de um timbre doce e tranquilo e já fez ótimas participações principalmente no disco “The Days of Grays”, dos seus conterrâneos do Sonata Artcica.

O Auri (nome do disco e da banda) nada mais é do que o resultado de um processo natural de afinidade musical entre essas três pontas, e como tudo que carrega essa vontade orgânica e genuína de acontecer, o resultado não poderia ser outro: uma coleção de melodias memoráveis onde todos vêm para somar. A maior surpresa do disco, no entanto, foi ver o lado cantor de Troy, como na belíssima “Desert Flower”, uma balada que Tuomas foi buscar em um recanto de sua mente que ele não visitava desde que compôs “The Crow, The Owl And The Dove”.

Logo de cara, “The Space Between” nos entrega a proposta do disco: um folk rock com um quê gótico, sem guitarras distorcidas ou bateria pesada. A interpretação de Johanna traz um certo mistério para as melodias e Troy já saca uns dois timbres de flauta de seu repertório. A seguir, “I Hope Your World Is Kind” começa com uma inspiradíssima melodia de Troy e Tuomas explora as cordas, não deixando de lado o aspecto sinfônico que tanto permeia a vida dos três músicos.

Já “Skeleton Tree” é uma mistura de música cigana com indígena com uma melodia simples e envolvente, como a grande maioria das composições do Auri se mostraram. Na sequência, “Desert Flower” é o grande trunfo do repertório, apresentando ao mundo a versão cantor de Troy. Os versos “All I wanted was/ For to see your smile break out” são interpretados com uma sinceridade palpável e o dueto com Johanna só não chama mais atenção do que o incrível e agudíssimo solo de violino da música.

Toda música possui uma alma própria e não deixa a balança pesar mais para nenhum dos três lados envolvidos. Essa boa dosagem entre as partes é importante principalmente se for levado em conta o teor das críticas que Troy recebe por parte dos fãs do Nightwish, que o acusam de influenciar muito na sonoridade das músicas, enfiando flautinhas e gaitas a torto e a direito. No Auri, vemos um ótimo exemplo de como o músico pode contribuir sem virar o “mala das flautas”.

O Auri é tudo que o Nightwish pós-Era Anette deveria ter sido: melodias certeiras, temáticas mais existenciais e humanas, duetos inspirados, uso moderado e sábio dos timbres folks e uma cantora que caiu como uma luva nas composições. Floor que me desculpe, mas Johanna e seu timbre doce combinam muito mais com a proposta do Nightwish. Resta torcer para que Tuomas use o Auri como laboratório e retome de vez a trilha das boas composições que ele perdeu desde o “Imaginaerum”, no já longínquo ano de 2011.

Gustavo Maiato

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