Autograph – “Sign in Please” (1984)

83918333_1579345165539095_2277636249583878144_n
Compartilhe

Autograph “Sign in Please” (1984)
RCA Records
#HardRock

Para fãs de: Def LeppardQuiet RiotRatt

Nota: 10

Steve Plunkett, Steve Isham, Randy Rand, Steve Lynch e Keni Richards estavam ensaiando um dia quando, sem mais nem menos, começaram a improvisar em cima de um riff. Os cinco trabalharam um pouco mais e em questão de horas uma nova música estava pronta. No dia seguinte, Plunkett estava sozinho, tomando uma xícara de café e tentando escrever uma letra quando a frase “turn up the radio” lhe veio à mente. Ele nunca poderia imaginar que acabara de batizar o futuro maior hit do Autograph.

A verdade, no entanto, é que a RCA, gravadora do Autograph na época, inicialmente, achou que a música “carente de apelo comercial” não encaixava no contexto altamente vendedor de “Sign in Please”. O próprio Lynch reconheceu posteriormente que também não era muito fã da música, cujo sucesso atribui à letra que “falava exatamente o que as pessoas queriam ouvir”. Felizmente, a banda bateu de frente e não tardaria a colher os frutos de sua obstinação: lançado em outubro de 1984, o disco ultrapassou a marca de 800 mil cópias vendidas, e “Turn Up the Radio” se tornou uma espécie de hino do rock dos anos 1980, chegando a um impressionante 29º lugar na Billboard, com direito a clipe em alta rotatividade na MTV e inclusão na trilha sonora do seriado formador de caráter Miami Vice. Cereja do bolo: Lynch receberia o prêmio de “Solo de Guitarra do Ano” da revista Guitar Player.

Mas por mais que a história dê a entender que o Autograph se resume a “Turn Up the Radio”, a banda e, sobretudo, o seu disco de estreia, tem muito mais a oferecer. A começar pelos outros singles — “Send Her to Me”, “Night Teen & Non-Stop” e “My Girlfriend’s Boyfriend Isn’t Me” —, que a despeito de terem passado longe do Top 40, são exemplos irresistíveis de como a temática do hard rock se resumia basicamente a mulheres, carros conversíveis e rolês à beira-mar com a rapaziada. A produção assinada por Neil Kernon — um dos nomes mais requisitados da década — abraça a proposta dando uma ênfase absurda nos teclados e nos backing vocals na escola de “Mutt” Lange e Ted Templeman.

No campo dos B-sides, “Deep End” e “All I’m Gonna Take” (com um solo que é sacanagem com quem está aprendendo a tocar guitarra) valem a lembrança por estarem até hoje presentes no repertório ao vivo do Autograph, que da formação responsável por “Sign in Please” conta apenas com o baixista Randy Rand: atualmente, Plunkett dedica-se à carreira de cantor de jingles enquanto Lynch, recém-saído da banda, segue nos preparativos de sua nova empreitada musical. Tanto Isham quanto Richards já não estão mais entre nós; o tecladista, desde 2008, de morte morrida, e o baterista, desde 2017, aparentemente, de morte matada.

Marcelo Vieira

Compartilhe
Assuntos

Veja também