Burn River Burn – “Neüstonia” (2016)

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Burn River Burn – “Neüstonia” (2016)
Independente
#HardRock#StonerRock#Grunge

Nota: 8,0

Seu nome: Burn River Burn. Sua origem: Bay Area de São Francisco, norte da Califórnia. Sua missão, de acordo com o press release: “… trazer o bom e velho rock ‘n’ roll de volta para a dianteira da música moderna”. O chefão por aqui é o guitarrista Chuck Howell, que nas horas vagas toca num tributo ao Misfits com o batera Kevin Amann. John Paterson (vocais), Mike Plunkett (guitarra) e Marco Guzman (baixo) completam o quinteto que celebra oito anos de estrada com o lançamento de seu segundo álbum, “Neüstonia”.

Imagine um cozido com carne, cenoura, batata, repolho e couve. Você junta todos os ingredientes na panela de pressão e cozinha tudo junto. Sabe aquela água que sobra do cozimento? Então, “Neüstonia” é como se fosse essa água, só que, em vez de vitaminas e nutrientes, o que fica retido aqui são influências das mais diversas: Alice in ChainsBlack SabbathRage Against The MachineSoundgardenQueens of the Stone AgeKyussLed Zeppelin. Talvez a melhor definição seja a de Justin Kretzier, do ReviewYou: um cruzamento entre Van Halen e Pantera.

Bateria com mais prato que o habitual, baixo distorcido naturalmente pelo volume da gravação. Guitarristas que empunham seus instrumentos como soldados de infantaria fazem a baioneta atravessar a garganta do inimigo. O vocal não é lá dos mais versáteis, mas nem precisaria ser, dada a qualidade interpretativa, que nos permite imaginar caras e bocas e gestos nos moldes dos melhores frontmen da história.

“Thanks For The Ride” abre alas exibindo um lado mais canastrão. Na sequência, “Witch Hunt” reduz o passo num clima sombrio meio Doom, meio Grunge. “Sworn To Silence” é a “Black Sabbath” dos caras, enquanto “Waiting” os pega na tentativa de recriar “Dirt”, do Alice in Chains. “U Dig” é thrash até a medula, “Burning Bridges” tem DNA de Pantera, e, lacrando o caixão, “The Rift” espera até o ouvinte pensar que se trata de uma faixa instrumental à la Karma to Burn para incluir uma letra tão curta quanto desesperada.

Se o rock voltar para a dianteira da música moderna dependesse somente do Burn River Burn, estaríamos, se não feitos, pelo menos melhores do que estamos agora. Uma vez que é um lançamento independente — “Não precisamos da merda de uma gravadora” —, a única maneira de adquirir o CD em formato físico é através do site da banda (burnriverburn.com). Mas você pode sempre tirar o escorpião do bolso e criar uma conta no Spotify, né?

Marcelo Vieira

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