Cattle Decapitation – “Terrasite” (2023)
Metal Blade Records
#DeathMetal #Grindcore
Para fãs de: Aborted, Dying Fetus, Cryptopsy, Misery Index
Nota: 10
O Cattle Decapitation é uma das maiores forças do Death Metal atualmente, tendo seguido uma ordem de lançamentos sempre do mesmo nível (um nível bem alto) que foi ganhando cada vez mais espaço com suas letras sobre o fim do mundo, pragas (leia-se humanos) e muita ferocidade. A banda continuou e foi um passo além com “Terrasite”, décimo álbum de estúdio lançado via Metal Blade Records.
Neste álbum a banda levou adiante os temas utilizados em “Death Atlas” (2019) e mostrou o que aconteceria depois do fim de tudo, isso seguindo a destruição de abertura de “Terrasitic Adaptation” até os 10 minutos de encerramento com “Just Another Body”, evocando uma emoção que muitas bandas apenas se esforçam para alcançar. Se você já conhece o Cattle, pode esperar a tradicional enxurrada frenética de riffs de guitarra, um baixo batendo com força e uma bateria que esmaga o ouvinte, além é claro dos rosnados animalescos de Travis Ryan.
Voltando a primeira faixa, “Terrasitic Adaptation”, temos aquela destruição já comentada, mas de uma forma que envolve você e quando ela termina à vontade e de ouvir novamente para capturar todas as nuances presentes, do blast beat a melodia. “We Eat Our Young” é outra pancada, tendo sido lançada como single, a faixa é rápida e destrói tudo com um breakdown no final, ficando presa na mente. Você irá se pegar cantando o refrão que evoca o título várias vezes no seu dia. “Scourge of The Offspring” tem um groove incrível e uma letra que não deveria fazer você “curtir” já que fala sobre a necessidade da seleção natural e como estamos deixando o mundo para nossas crianças, mas é impossível não o fazer.
O que você irá notar no final dessas faixas é o quão cativante elas são. Desde os dias de “Monolith Of Inhumanity”, a banda conseguiu usar bem os ganchos e prender os ouvintes.
Agora vamos falar de Travis e como ele é assustador. Conhecido por fazer os cabelos da sua nuca se arrepiarem com sua voz de ‘goblin’, o que antes foi visto como um pouco de exagero em “Death Atlas”, agora em “Terrasite” foi o que comandou toda a carnificina. Eles funcionam como uma forma de alívio entre um gutural e outro, e foram muito bem-vindos.
Não há como negar que Ryan é um dos maiores vocalistas de metal da atualidade; ele não apenas tem várias maneiras de gritar, mas também é fácil de ouvir o que está cantando, pois em um gênero como esse são raros os casos que não se ouve apenas um porco ou um tipo de monstro nos alto falantes, então é mais um ponto a favor da banda e do álbum, que facilitou que elas penetrem totalmente na mente.
Depois de tanto tempo é fácil perceber o que talentosos cada música é dentro da banda. Nos versos acelerados ou no refrão poderoso de “…And This World Will Go On Without You”, cada parte é tocada com maestria. O som do baixo também foi aumentado, o que deu a Oliver Pinard a chance de brilhar e em “The Storm Upstairs” que sendo épica, foi a um nível acima com o trabalho dele.
Já David McGraw é uma máquina absoluta por trás da bateria. Desde o início ele é um destaque na banda, sendo uma potência nos blast beats e trabalhando em conjunto com Pinard durante os grooves e breakdown que estão espalhados pelo álbum.
A dupla Josh Elmore e Belisario Dimuzio formam uma parede sonora extremamente forte no disco. Mesmo com diversos riffs intrincados, solos de derreter a cara e melodias é possível ouvir tudo com clareza, sem ficar sobrecarregado. “A Photic Doom” é um exemplo dessa maestria que eles têm, já que tudo o que foi mencionado antes é injetado nela, criando uma música forte e que marca.
A capa é outro show à parte, dando vida ao termo que Ryan criou, significando um parasita que se alimenta da terra. O trabalho de Wes Benscoter acertou em cheio e casando com a temática da banda onde sempre alertam e criticam sobre o estado do planeta e os temas apresentados aqui provam mais uma vez o quão zangados estão com a forma como nós, como espécie, nos tornamos.
Se pudermos ter certeza de algo é que o Cattle Decapitation estará na trilha sonora do fim do mundo quando ele chegar. Desde “Monolith…” a banda está colecionando vitórias e com “Terrasite” não foi diferente, sendo uma obra prima do Death Metal e que estará em inúmeras listas de melhores álbuns do ano.
Lucas David




