Meshuggah – “ObZen” (2008) (Relançamento 2023)
Atomic Fire Records | Shinigami Records
#ModernMetal #Djent #MathMetal #ProgMetal #ExtremeMetal
Para fãs de: Gojira, Fear Factory, Strapping Young Lad, Periphery, Opeth, Cynic
Nota: 8,5
E lá se vão 15 anos do lançamento do aclamado sexto álbum de estúdio dos malucos suecos do Meshuggah.
Comemorando a data, a Atomic Fire Records- em parceria com a Shinigami Records no Brasil – relançou uma versão remasterizada e vitaminada do divisor de águas “ObZen”. Digo divisor de águas por (pessoalmente) dividir o trabalho da banda em 3 fases: a do inicio da carreira que vai do “Contradictory Collapse” ao “Chaosphere” (onde está presente o fabuloso e seminal “Destroy, Erase, Improve”), a segunda fase que é a fase mais, digamos, “experimental” que vai do “Nothing” ao “Catch 33” e a terceira fase que se iniciou com “ObZen”, que trouxe o Meshuggah para “as grande massas”.
Em termos de sonoridade, essa nova versão remasterizada não alterou significativamente o resultado auditivo do álbum. As mudanças são sutis, mas presentes, não modificando drasticamente o resultado final. Isso pessoalmente já é a primeira vitória do álbum.
Falando um pouco sobre o álbum em si, “Obzen” é uma bela síntese de toda a diversidade musical que fez do Meshuggah um dos pilares do “Djent/Math Metal”. Estão presente na obra toda a complexidade rítmica, as guitarras de 8 cordas que desta vez trazem um trabalho um pouco mais “melódico” que o que vinham fazendo de “Nothing” para cá.
Os solos de Fredrik Thordendal continuam naquela seara “dissonante, exótico e misterioso”. O vocal de Jens Kidman continua com todo o ódio que lhe é peculiar, Tomas Haake continua mostrando o porque é considerado, dentro e fora do meio metal, um dos bateristas mais precisos do planeta e adjacências.
No entanto, “Obzen” é um álbum mais dosado em suas característica, mais melódico e talvez menos complexo (dentro das características “Meshugguianas”, logicamente) o que o torna o álbum ideal para os quem quer se aventurar a conhecer o trabalho da banda e não conhece nada a respeito dela.
O trabalho abre com a rápida “Combustion” (e que riff inicial!!!). Um soco na cara de ódio, velocidade e melodia! Outros destaques ficam com a já clássica “Bleed”, um hit monstruoso com seus 7min22seg de palhetadas e bumbos sincronizados que mostram quem é que manda neste estilo, a pesadíssima faixa título “Obzen”, a intricadada “Pravus” e a completamente doente (e longa) “Dancers to a Discordant System”.
A capa foi feita pelo artista Joachim Luetke e lembro de ler em uma que Haake e Hagström explicam que a obra de arte apresenta uma fotografia de um modelo masculino na “posição de lótus zen” com a metade inferior da fotografia sendo de uma modelo feminina. Isso porque o modelo masculino não conseguiu desempenhar a posição, tornando a figura andrógina. O modelo está coberto de sangue, o que é explicado como uma metáfora para a humanidade encontrar paz de espírito através da obscenidade. Além disso, cada uma das três mãos manchadas de sangue posa na forma do número seis, que simboliza a natureza inerentemente má do homem.
“Obzen” é uma obra-prima de diversidade musical e surpresas em meio a uma discografia já bem surpreendente. Em uma resenha, o site Blabbermouth conjecturou com precisão sobre “ObZen”, o seguinte: “Esta é uma destilação dos últimos quinze anos de foda mental da banda em uma declaração definidora tão habilmente trabalhada que consegue parecer monolítica e opaca mesmo com um milhões de peças móveis deslizantes. Puro MESHUGGAH, puro caos, puro controle”, e eu concordo muito com isso!
Marco Nunes





