Metal na Lata

Cosmic Rover – “Heavy” (2021)

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Cosmic Rover“Heavy” (2021)
Abraxas
#StonerMetal, #HeavyRock, #StonerRock, #HardRock

Para fãs de: Motorhead, Orange Goblin, Mustasch

Nota: 10

“Heavy” (título mais apropriado e sugestivo impossível), é o mais novo e segundo álbum do power trio paulistano Cosmic Rover. A banda foi fundada em 2018 e no mesmo ano fez sua estreia discográfica com um excelente ep autointitulado  —, bem recebido pela crítica e público, e celebrado como um dos melhores lançamentos daquele ano. A consagração plena veio no ano seguinte quando lançaram o fabuloso “Spitting Fire” (Abraxas). O supracitado “Heavy” foi produzido por Henrique Baboom Canale (Panzer, Salário Mínimo). A capa,  totalmente conectada à sonoridade do trio, é de autoria do próprio Edson Graseffi, que também atua como ilustrador e tatuador.

As guitarras falam alto (muito alto), logo na abertura do trabalho, na sensacional “Fast Cars”. Riffs venenosos, solo incendiário, baixo deliciosamente “obeso” e Edson Graseffi dando duas aulas gratuitas; a primeira sobre como cantar como vontade e emoção, e a outra sobre como confeccionar linhas de bateria “vívidas”, rusticas e personalizadas. E que fique claro, nada no novo material soa plástico ou superproduzido — essência é plugar e tocar — deixar fluir. O resto é moda, repetição de clichês e culto ao trivial.

O alto nível da abertura é mantido nas faixas seguintes — na maliciosa “Dreams” e na robusta “Catch Me”. Ambas transitando com singular habilidade entre o despojamento do Rock e o peso esmagador do Metal. Vigoroso, bem resolvido e com poucos parênteses abertos à firulas, o repertório consegue cativar o ouvinte tanto nos momentos mais acelerados (a despeito da trinca inicial) quanto nos intervalos, quando explora outras dinâmicas e atmosferas— vide a cadência deliciosa de “The Black Sheep” e o appeal vintage da viajada “Fly On”.

“Stoned Moon” é perfeita para ser ouvida num toca fitas de um carro customizado — noite adentro, amigos, cervejas e perigos (quase letais). Uma dose farta de diversão com dois dedos a mais de insanidade e é assim que boas memórias são criadas. “Just Let Me Free” encerra o álbum com chave de ouro —, uma falsa balada que logo verte-se num peso assombroso. Baixo e bateria sensacionais, os vocais de Edson novamente impecáveis e o guitarrista estreante, Xande Saraiva, azeitando a composição com solos absurdamente incríveis!

“Heavy” é a prova irrefutável de que o Rock e o Metal brasileiro vão muito além das mesmas bandas de sempre nos mesmos sites de sempre (os fã-clubes disfarçados), provando também que, sim, existe vida criativa (e como existe) fora da bolha Heavy/Thrash/Power Metal. São pouco mais de 29 minutos de muito peso, visceralidade, espontaneidade e atitude — composições magistrais, condução absolutamente perfeita, músicos afiados e uma gravação a brindar os tímpanos com o “crème de la crème” das produções setentistas. Não ouviu? Ouça! Não conhece? Busque conhecer. E ainda existe maluco (sim, só sendo maluco mesmo) para afirmar que 2021 foi um ano fraco para o Rock/Metal brasileiro. Faça um favor a si mesmo e ouça esse álbum!

Fábio Miloch

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