Darkane – “Inhuman Spirits” (2022)

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Darkane“Inhuman Spirits” (2022)
Massacre Records
#DeathMetal, #MelodicDeathMetal

Para fãs de: The Crown, Carnal Forge, At The Gates

Nota: 7,5

Parece que já se passaram algumas centenas de anos desde que um bando de suecos assustadoramente altos e loiros se atreveu a juntar o hiper melodismo ao Death Metal. E enquanto a repetição tediosa e a visão limitada funcionaram para fazer a maioria do Death Metal Melódico parecer que os nervos foram desgastados e a paciência testada por muito mais tempo do que a realidade, obviamente milhares de lançamentos definitivos tomaram as salas de audição e os espaços de ensaio. Mas, você teria que ser um fã hardcore demais para não ver/admitir que o que antes era excitante e vibrante sofreu de tédio e diluição. Então, novamente, o mesmo pode ser dito sobre qualquer gênero de música ao longo da história do som, com imitadores menos habilidosos, pretendentes ao trono e todo esse tipo de blá-blá-blá.

Quando Darkane entrou em cena pela primeira vez em 1999 com “Rusted Angel”, definitivamente abalaram a cena do Death Metal Melódico na época com o aumento do slice ‘n’ dice técnico, grandiosidade de acordes, riffs e uma ferocidade que fez a banda se inclinar mais para a associação com a ferocidade de The Crown e Carnal Forge em oposição a uma simples mistura com os comparativamente mais acessíveis In Flames e Dark Tranquility. Depois disso a banda sumiu por vários anos e agora retorna com seu sétimo álbum de estúdio e primeiro em nove anos intitulado “Inhuman Spirits”.

O disco abre com a faixa-título e apresenta em seus primeiros 30 segundos uma aura de teclados, blast beats insanos e uma rajada de riffs, o que remete ao Emperor  o que eles fizeram em suas músicas. Ela continua com violentas oscilações de uma única nota, pedais de guitarras velozes e agressivas, e o refrão leva um grande momento onde o público estaria gritando junto com o vocalista Lawrence Mackrory.

A faixa acima define o palco e o ritmo para a maior parte do resto do álbum, com pedaços de composição se desviando da norma para apresentar “mais uma banda de Melodic Death Metal genérica”. “Awakening” apresenta um ritmo que poderia estar presente em “Necroticism…” do Carcass, que conta com um solo que é parte de Kirk Hammett, parte Steve Vai. “Embrace the Flames” tem um pouco da sensação inicial do Morbid Angel. “Inhaling Mental Chaos” embaralha e sobe com um groove notavelmente contagiante. “The Quintessence of Evil” tira o pé do acelerador mostrando uma linha para bangear no estilo Prong, com um refrão marcado por sintetizador direto dos cortes profundos de “Pandemonium” do Killing Joke.

Por outro lado a banda acabou deixando seu som muito limpo, já que eles são praticamente uma banda de estúdio, o que tirou uma parte da urgência e do falta de ar que bandas assim costumam mostrar aos fãs. Em certo ponto o ouvinte acaba “enjoando” um pouco e ter o estilo vocal latido e gritado de Mackrory tão alto, especialmente em “Mansion of Torture” e “Conspiracies of the Flesh”, se tornam pontos onde ele luta para encontrar uma linha vocal para os riffs atrás dele. Ao mesmo tempo, no entanto, o riff de “A Spiral to Nothing” com um pré-refrão grandioso e sombrio, faz da faixa uma das melhores do disco.

A agenda ao vivo do Darkane é escassa, significando que eles são uma banda que a maioria dos ouvintes terá que se contentar em experimentar apenas através de trabalhos gravados. E embora as falhas apareçam em “Inhuman Spirits”, o disco merece elogios, principalmente ao quinteto formado por Jörgen Löfberg (baixo), Peter Wildoer (bateria), Klas Ideberg e Christofer Malmström (guitarras) e Lawrence Mackrory que se manteve feroz e não abandonou a parte do Death Metal da equação do Death Metal Melódico enquanto ainda é capaz de oferecer momentos empolgantes e melodias adequadas.

Lucas David

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