
Devin Townsend Project – “Ocean Machine 7: Live At The Ancient Roman Theatre Plovdiv” (2018)
Inside Out Music
#ProgressiveMetal, #SymphonicMetal, #HardRock
Para fãs de: Opeth, Meshuggah, Ayreon
Nota: 9,0
Devin Townsend, nesta década, enquanto lançava álbuns de estúdio com o DTP, resolveu brindar seus fãs com lançamentos ao vivo repletos de surpresas e cuidados com os detalhes.
Primeiro veio “By A Thread – Live In London 2011”, no qual o gênio maluco executou de ponta a ponta e em sequência, a trinca conceitual “KY”, “Addicted” e “Descontruction”, além do álbum seguinte, “Ghost”, gravado e filmado em uma capela, Union Chapel. Em 2013, veio o lançamento de “The Retinal Circus”, no qual o cientista maluco trouxe ao palco uma trupe circense para atuar ao longo da execução de grandes clássicos de sua carreira.
E, em 2018, cumprindo a promessa de encerrar um ciclo e pôr fim ao Devin Townsend Project, para seguir adiante com sua carreira musical, que teve início com sua participação no CD com músicas convencionais de Steve Vai “Sex & Religion” (1993) e depois desembocou na diatribe-industrial extrema com o Strapping Young Lad que, em 1996, teve seus dia terminados para iniciar a fase atual, no ano seguinte, com a divulgação do álbum “Ocean Machine” (1997).
E, nada como celebrar a transição em busca de novos caminhos voltando ao ponto de partida, certo? E se, de quebra, puder também atender pedidos de fãs para tocar músicas de seu vasto catálogo, contando com aquelas pouco lembradas em turnês e em shows de festivais? E se, mais do que isso, estas músicas requisitadas pelos fãs forem rearranjadas para serem executadas ao lado de uma orquestra, em um lugar exótico – tipo o Ancient Roman Theatre, em Plovdiv, na Bulgária? Soa como uma ideia grandiosa? Ah sim, sem deixar de, após a apresentação ao lado da orquestra, tocar o seu primeiro álbum, “Ocean Machine” na íntegra, em frente a esta abençoada e seleta plateia, contando ainda com um dos membros da formação da banda daquela época (John Harder, baixista) para ressaltar ainda mais o clima de volta às origens e comemoração?
É justamente isto que encontramos neste novo lançamento, triplo ao vivo do DTP, gravado em 2017, 20 anos após o início de suas atividades (que também foi lançado em DVD/Blue-ray em 06 de julho de 2018).
O resultado? Bom, vamos começar pela ressalva: mais do que em “The Retinal Circus”, a sensação que dá é que o elemento visual fez muita falta desta vez, Isto porque, o que confere o diferencial a este trabalho é sua execução em uma locação inusitada, contando com a presença de orquestra; e, mesmo na execução completa de “Ocean Machine”, faz falta percebermos a interação visual entre a banda e seus fãs naquele momento intimista de encerramento de uma fase. Enfim, a sensação que dá é de se estar ouvindo o show do lado de fora da casa de espetáculos.
Colocando isto de lado, e dando atenção apenas ao elemento sonoro, especialmente se você contar com um aparelho de som maneiro, vai poder notar a presença de coral, cordas diversas e instrumentos de sopro e percussão dando contornos grandiosos e belíssimos às músicas – o refrão de “Om” (nunca tocada ao vivo antes), especialmente em seu encerramento, ganha aquele ar épico digno de nota.
Em certos momentos, quando parece que as músicas já foram originalmente compostas para serem tocadas acompanhadas por orquestras – como em “By Your Command” e a história da eterna busca de Ziltoid pela “definitiva xícara de café” – parece que, enfim, elas encontram seu habitat natural, com a orquestra ora intensificando a dramaticidade de certas passagens, ora incrementando melodias e cantos no andamento das músicas.
Nesse sentido, as composições extraídas de seu último álbum de estúdio, “Transcendence” – como é o caso de “Higher” – ganham muito em seus arranjos com as dimensões musicais proporcionadas pela presença de violinos, celos, piano, etc.
A primeira etapa é encerrada com a linda balada “Deep Peace”, mais uma oportunidade para se embasbacar com a avalanche criativa que é este alien, Devin Townsend.
Nos dois primeiros CDs, Devin preenche muito bem os intervalos entre as músicas, como de costume, contextualizando-as, interagindo com o público e contando suas impagáveis piadas (mesmo quando diz ao público que não vai conta-las para não estragar o momento). Já no terceiro CD, para manter o clima progressivo e viajante de “Ocean Machine”, ele deixa a música falar por si – e, por vezes, a audição dos 3 CDs na sequência pode se tornar cansativa (como falei antes, a imagem começa a fazer falta, principalmente nas levadas mais instrumentais, como em “Greetings”).
De todo modo, a execução das músicas é perfeita, muito inspirada, dando a orquestra lugar a sintetizadores e sequenciadores, que tratam de ambientar as músicas – tudo muito bem equalizado e apresentado por músicos excepcionais.
Claro que deste último CD não dá para deixar de destacar a excelente “Life”, que até hoje não entendi como não virou um sucesso de dimensões internacionais em todas as Rádios FM da época, alanvancando para outro patamar a carreira do Hevy-Devy.
Ou talvez eu saiba por quê: Devin sempre se preocupou demais com a qualidade de sua música, com a forma como entrega seus trabalhos, recusando-se a embala-los em papel de chiclete para consumo rápido por pessoas que não estão nem aí para o esforço do artista autêntico em produzir obras de arte diferenciadas, muitas vezes gastando mais do que deveria em comparação ao baixo retorno financeiro que deve ter – como no caso deste material que resenhamos aqui.
Mas, por mais estranho que esta atitude pareça para a massa de consumidores de músicas da moda, é assim que as coisas se passam quando o artista está a serviço exclusivamente de sua arte – e não em busca desesperada por sucesso midiático, dinheiro e fama fugazes.
Se você também vive ‘fora da curva’, pode comprar e escutar este trabalho sem medo de se arrepender. E que venha o Blue-ray logo para apreciarmos esta maravilhosa peça em sua completude. O meu já está reservado!
Wallace Magri





