
Dimmu Borgir – “Eonian” (2018)
Nuclear Blast
#SymphonicBlackMetal
Para fãs de: Cradle of Filth, Carach Angren, Old Mans Child
Nota: 7,0
No fim dos anos 90, uma banda vinda da gelada Noruega ganhou os holofotes do mundo ao criar um estilo, o Symphonic Black Metal. Se nos dois primeiros álbuns, “For All Tid” (1995) e “Stormblåst” (1996), ainda contando com poucos recursos de gravação a banda ainda estava dando os primeiros passos rumo ao estrelato, foi através da Nuclear Blast que o Dimmu Borgir começou a se destacar com os aclamados “Enthrone Darkness Triumphant” (1997), “Puritanical Euphoric Misanthropia” (2001) e “Death Cult Armageddon” (2003), só pra citar os principais.
Para surpresa geral dos fãs, o baixista ICS Vortex (Borknagar) e o tecladista Mustis deixaram a banda após o ótimo “In Sorte Diaboli” (2007), deixando no ar aquele sentimento de que essa separação poderia decretar o fim da banda. É verdade que Silenoz (guitarra) e Shagrath (vocal) sempre foram a espinha dorsal do Dimmu Borgir, mas a ausência dos vocais limpos de ICS Vortex e a criatividade de Mustis (o maior hit, “Progenies of the Great Apocalypse” foi composto por ele) poderiam fazer muita falta. E realmente fizeram e seguem fazendo muita falta!
Em “Abrahadabra” (2010), a banda pareceu estar mais preocupada em mostrar ao mundo o seu lado grandiloquente, que tinha qualidade e capacidade de tocar ao lado de uma orquestra e dar uma resposta aos ex integrantes de que poderiam seguir o barco sem eles. Naquele lançamento, deram claramente uma guinada em seu som, abrindo mão do peso das guitarras e da agressividade de sua música, colocando em evidência a orquestra e o coral que foram partes integrantes das gravações. Foi uma mudança radical, e muitos fãs, torceram o nariz.
Foram quase 8 anos de espera e finalmente, o novo álbum acaba de sair do forno. “Eonian” é um disco complexo, cheio de orquestrações, coros, experimentalismos, pouco peso, sem aquela atmosfera maligna, sem punch, seguindo, portanto, uma proposta similar ao álbum anterior.
As faixas lançadas anteriormente dão uma ideia clara de tudo o que já foi falado aqui. “Interdimensional Summit” repleta de orquestrações e “Council of Wolves and Snakes” é a mais experimental, chegando a pender para o Doom/Gothic Metal na maior parte do tempo.
Um dos maiores destaques individuais ficam para “ÆTheric” que é mais pesada do disco e tem um riff principal daqueles que grudam na cabeça, e mesmo com as mudanças de andamento, a faixa é boa e poderá agradar. Outras que tem um bom trabalho nas cordas são “Lightbringer” e “Archaic Correspondence”, sendo essa última especial mostrando a agressividade que acostumamos a ouvir, mas as excessivas firulas e quebradas de ritmo prejudicaram demais o resultado final. Surpreendente de verdade, é a faixa de encerramento, “Rite of Passage” que é instrumental e com uma atmosfera que remete ao início de tudo lá nos anos 90, uma verdadeira viagem no tempo e que os fãs mais saudosistas certamente irão curtir.
Apesar de não ruim, com um período de tempo como esse, a banda poderia (e deveria!) ter feito coisa melhor, críticas essas que fazem parte do contexto de uma grande banda como o Dimmu Borgir, já que ao longo dos anos, construíram com muito trabalho, uma ótima reputação e um nome de respeito. Quem é fã pode não curtir, quem não é fã, não será dessa vez que passará a ser. Que o próximo álbum não leve tanto tempo para sair!
Mauro Antunes





