Enthroned – “Ashspawn” (2025)
Season of Mist
#BlackMetal #OccultBlackMetal
Para fãs de: Marduk, 1349, Gorgoroth
Texto por Lucas David
Nota: 10
Com uma carreira que remonta ao início dos anos 90, o Enthroned é uma das bandas mais duradouras do Black Metal europeu. Sua linha ocultista e filosófica ajudou a banda a produzir ao longo dos anos discos sólidos que se tornaram referência para o gênero. Com trabalhos agressivos e cheio de veneno como “Armoured Bestial Hell” (2001) e “XES Haereticum” (2004) a banda manteve-se firme e orgulhosos com uma receita viciosa e atmosférica, garantindo seu lugar ao lado de bandas clássicas como Marduk, Gorgoroth e 1349, mas com distinção o suficiente para se manter em um mercado muito competitivo. Com isso em mente, a banda chegou ao seu 12° disco, “Ashspawn”, uma representação da força e o lado sombrio do vocalista e líder Nornagest, sendo uma explosão implacável de brutalidade ritualística, com músicas que atacam com velocidade alucinante e agressividade máxima.
“Crawling Temples” já dita o ritmo do disco todo com uma explosão de blast beats, riffs infernais e vocais poderosos vindos diretamente do inferno. Um exemplo mais do que perfeito de como o verdadeiro Black Metal deveria soar. Na sequência, “Basilisk Triumphant” mantém o ritmo com riffs gélidos que podem ser sentidos na espinha, além da bateria de Menthor que castiga os ouvidos cheia de blast beats e bumbos duplos que não dão descanso. Aqui os vocais de Nornagest aparecem mais doentios, ameaçadores e carregados de ódio.
“Stillborn Litany” é perversa e desregrada com sete minutos de riffs primitivos, porém cheios de camadas, tornando-se cada vez mais hipnóticos e perturbadores à medida que os segundos passam. Há algo brilhantemente implacável na execução, como se o tempo estivesse acabando e a banda buscasse afundar o mundo no máximo de caos possível. A faixa-título mantém essa urgência explodindo nos falantes com um grito maníaco de Nornagest e riffs cheios de maldade e veneno de T. Kaos, que merece um reconhecimento à parte pela sua capacidade de entregar momentos incríveis nas seis cordas, criando barreiras de sons extremos e solos retirados diretamente de filmes de terror.
Da mesma forma, “Ashen Advocacy” fecha o disco em um ato de exibicionismo blasfemo com uma atmosfera gélida que dá energia para um ritmo mais lento e mortal, com a simplicidade dos riffs em contraste com uma estrutura diferente que mostra uma grande influência de Mayhem no DNA da banda.
A aura impiedosa que impulsionou o Enthroned por mais de 30 anos se mantém ativa com “Ashspawn”, que vai direto ao ponto, cheio de maldade e peso, como manda a cartilha. O senso de destruição e sua mensagem anti-humana são transmitidas sem medo, com a urgência das faixas citadas servindo como um chamado e um alerta de que podem existir vocês mais imaginativas atuando no Black Metal hoje, porém poucas se mantêm fiéis ao gênero com a dedicação desses belgas.





