Entrevista com Silvio Lopes (KING BIRD)

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Alçando vôos cada vez mais altos, o guitarrista Silvio Lopes (King Bird) nos conta todos os detalhes dessa nova fase da banda em uma entrevista exclusiva para o Metal Na Lata.

Por: William Ivan Kotzo Ribas

Metal Na Lata: Primeiramente gostaria de lhe dar os parabéns pelo novo álbum. Ele é incrível! Uma mistura do próprio King Bird antigo dos dois primeiros álbuns com uma roupagem mais Hard Rock. Minha pergunta é: Foi proposital essa mistura ou apenas aconteceu?

Silvio Lopes: Muito obrigado. A gente não procura mesmo parecer ou soar num formato específico, vamos compondo e evoluindo as músicas que soam bem para gente indiferente do que pareçam, então essa mistura que você comentou realmente aconteceu de forma natural. Acho que é um pouco do próprio DNA da banda manter a personalidade e ao mesmo tempo trazer algum elemento novo paras composições. Claro que a quantidade de cerveja que a gente bebe ajuda também (risos).

Metal Na Lata: Muitos consideram “Got Newz” como melhor álbum da banda, e pra vocês, realmente é isso?

Silvio Lopes: Como “pais” de todos os discos que já “parimos” (risos) é difícil escolher um melhor, mas acho que nesse álbum as coisas fluíram muito bem desde as composições até a gravação e pós-produção, o que acho que conferiu uma qualidade muito legal a esse álbum. Eu diria que no momento é o melhor que a gente pôde fazer e estamos curtindo muito. Quero também citar aqui o grande trabalho feito pelo Henrique Canale Baboom na produção, muito dessa qualidade que a gente conseguiu vem de um trabalho impecável desse cara!!

Metal Na Lata: A entrada de Ton Cremon caiu como uma luva para banda. Ele foi a primeira opção ou houve uma procura até chegar nele?

Silvio Lopes: Interessante que realmente quando começamos a cogitar alguns nomes o dele foi o que todos consideramos que seria o primeiro que íamos procurar por quê gostamos muito do timbre de sua voz e da pegada, além de ser um cara muito gente boa. Parecia mesmo ser o cara certo para banda. Aí, coincidentemente – conspiração universal (risos) – o Ton entrou em contato comigo para bater um papo pelo Facebook nos dias seguintes e o resto vocês já sabem (risos).

Metal Na Lata: A música “The Road You Ride” conta com a participação de Nando Fernandes, como se deu essa participação?

Silvio Lopes: O Nando sempre foi um brother nosso e um cara que respeitamos muito. O Ton tinha conhecido ele num desses cruzeiros do rock e ali já começaram a pensar em fazer algo juntos. Essa música já tem a participação do nosso brother Humberto Zambrin, baterista do AttracthA na composição da letra, aí achamos que era uma música que tinha bastante sentido trabalhar a voz do Ton junto com o Nando. E o resultado ficou impressionante. Que dupla de vozes não acha?

Metal Na Lata:  Sim, ficou excelente e, também, destaco “Freeze frame my life” por ser belíssima onde tudo soa perfeito, como ela surgiu?

Silvio Lopes: Puxa, obrigado pelo “tudo soa perfeito”, é uma honra ouvir isso. A inspiração dos riffs iniciais de guitarra vem daquela praia bem bluesy, meio Black Crowes, meio Southern, meio calabresa, meio mussarela sabe (risos). É uma música com muito ‘feeling’ em sua composição, e o trabalho de voz que desenvolvemos com o Ton, e depois de backing-vocals junto com Henrique Baboom, encaixaram muito bem na proposta da música. Acho que todos gravamos com muito ‘feeling’ também e o Hammondgravado pelo nosso brother e convidado Rodrigo Hid, fechou igual queijo com goiabada!! (risos).

Metal Na Lata: A banda lançou dois clipes para o álbum sendo o último para “Daybreak”, gravado no Sesc Belenzinho, existe a possibilidade de mais músicas virarem clipes?

Silvio Lopes: Sim, claro! Tem pelo menos mais dois no forno já. Muito em breve mais vídeos virão! Hoje enxergamos que o vídeo valoriza muito as composições e as pessoas curtem quando você coloca uma imagem bacana de fundo!

Metal Na Lata: O novo álbum foi e ainda está sendo aclamado por todos, sempre citado como um dos melhores lançamentos de 2016, vocês imaginariam que seria assim?

Silvio Lopes: Realmente para nós é extremamente gratificante que as pessoas considerem isso, ainda mais numa época em que, talvez ao contrário do que se esperava, tivemos excelentes trabalhos de bandas nacionais lançados. Como comentei, trabalhamos para fazer o melhor que podíamos mas, de fato, não esperávamos esta repercussão tão grande.

Metal Na Lata: Existe alguma faixa em especial para você no álbum?

Silvio Lopes: Eu, particularmente, gosto de como soa a faixa “Break Away”. Gosto da ideia da harmonia e melodia de voz, por isso é minha preferida, gosto muito da letra da “Years Gone By” que partiu de uma ideia legal do Fábio César e fechamos juntos e a “Daybreak” tenho um carinho especial por ter sido a primeira que lançamos com o Ton. Essa última teve uma receptividade muito além do que esperávamos também.

Metal Na Lata: Mais de seis meses se passaram do lançamento de “Got Newz”, existe alguma coisa que mudaria?

Silvio Lopes: Sinceramente isso é algo que desencanei desde o “Jaywalker”. Um disco é uma flecha lançada, você tem que ficar mirando um pouco antes, mas depois de lançar já foi (risos). Se você ficar pensando o que mudaria você ficaria louco. Para mim depois de lançado está perfeito!! Mesmo ouvindo discos que já lançamos antes, eu não faria nenhuma mudança pois captou o momento que vivíamos.

Metal Na Lata: Silvio, você teve a honra de tocar com a lenda Vinny Appice, como foi essa experiência

Silvio Lopes: Puxa cara, esse foi um momento incrível mesmo. Com o King Bird tivemos, também, momentos muito legais, como abrir os shows do Uriah Heep, do Graham Bonnet, do Joe Lynn Turner dentre outros, mas tocar junto e ser a banda de apoio de um cara como o Vinny Appice foi “o ápice” (risos). O cara foi muito cordial, muito gente boa, mas o mais legal foi que inicialmente combinamos um setlist pequeno, já que ele ia fazer algumas músicas com o Sequencer, mas aí começamos a passar o som e o cara se empolgou! Combinamos de tocar umas oito músicas e na hora do show acabamos fazendo umas onze!! Cara, foi realmente uma noite inesquecível, aquela que emociona só de lembrar!!

Metal Na Lata: Em 2012, a banda lançou o EP “Beyond The Rainbow”, onde sua faixa título é uma homenagem ao eterno Ronnie James Dio. Qual é a importância dele para música?

Silvio Lopes: Se você conhecer toda a trajetória do nosso herói Ronnie James Dio, desde suas primeiras bandas, verá que ele passou por vários estilos. Chegou a tocar trompete e contrabaixo, até se firmar como vocalista. E bem, ele chegou a ser o frontman de duas das maiores bandas do rock mundial, o Rainbow e o Black Sabbath, além é claro de sua própria banda Dio. O talento e a qualidade que sempre acompanharam o pequeno ‘grande’ Dio estão impressos em todas as bandas que passou e os trabalhos que lançou, participou e etc. É inegável que sua obra toda vire influência nas bandas que vieram depois e que ainda continuam se formando, assim como no trabalho do King Bird.

Metal Na Lata: Ir ao show da vocês não é só um show com músicas e pronto, há uma grande interação com o público, piadas sendo contadas numa grande troca de energia. É um diferencial tornar tudo como se fosse uma grande festa de família?

Silvio Lopes: Muito legal você citar isso. A gente procura levar pro palco exatamente o clima que a gente tem entre a gente e tem também com os amigos e fãs. Não somos e não queremos ser “estrelas do rock”, pois acreditamos que um show ao vivo tem que ser um espetáculo e o fã tem que ter prazer de estar ali e compartilhar o momento com a gente, não só a música. Se for só pra ouvir a música o cara ouve o CD em casa (risos). A gente tem esse objetivo de tornar o show uma grande festa. Pelo teu relato fico feliz que a gente está indo no caminho certo para isso!!

Metal Na Lata: O que você espera que “Got Newz” traga para banda?

Silvio Lopes: Acho que este álbum marca um momento muito importante de maturidade da banda, que mostra bem a nossa personalidade, pois acredito que conseguimos passar nas composições e na gravação o nosso espírito, o nosso verdadeiro som. Então, espero que a gente consiga expandir mais ainda nosso trabalho com shows pelo Brasil e fora dele!

Metal Na Lata: Três álbuns, um EP e mais de treze anos de banda, chegou a hora de um CD/DVD ao vivo?

Silvio Lopes: Acreditamos que pode ser um próximo trabalho sim e acho que a banda e os amigos/fãs merecem isso. Eu gostaria muito de colocar isso como um próximo projeto da banda! Quem sabe…

Metal Na Lata: Quem te acompanha nas redes sociais sabe do seu grande amor por cervejas e, hoje em dia, muitas bandas acabam lançando sua própria marca. Existe a chance de acontecer também com o King Bird?

Silvio Lopes: Sim existe! A gente já chegou a dar uma olhada no tema, mas como tínhamos outras prioridades não chegamos a fechar nada, mas cerveja é uma paixão comum da banda, tem tudo a ver com nossa música e acho que vamos acabar lançando algum tipo de “King Beer” (risos). O problema é que pode ser que a gente acabe bebendo todo estoque e não venda nada (risos).

Metal Na Lata: É verdade (risos). Se tivesse que apresentar a banda para alguém que nunca os tivesse escutado, qual música você escolheria?

Silvio Lopes: Boa! Sou suspeito, já falei dessa música, mas acho que escolheria mesmo a “Break Away” (risos), ou talvez “Immortal Rider”.

Metal Na Lata: Quais os próximos passos do Pássaro Rei?

Silvio Lopes: Agora queremos tocar muito!! E, também, queremos continuar evoluindo nosso canal do YouTube com novos vídeos. Queremos também trabalhar não só em prol do King Bird, mas sim cada vez mais trabalhar em conjunto com outras bandas para juntos cresçamos o cenário do Rock pesado no Brasil. Tenho conhecido muitas bandas com este mesmo espírito e acredito que é o momento!!

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, espaço é todo seu.

Silvio Lopes: Eu agradeço muito a você William e ao Metal na Lata por mais este espaço e apoio ao nosso trabalho. Graças a iniciativas como a de vocês que privilegiam as bandas brasileiras estamos começando a virar este jogo. Agradeço aos meus “parças” de banda por termos chegado até aqui e, também, à todos que nos apoiam, curtem nosso som, compartilham por aí. Sem esse ecossistema de pessoas e parceiros uma banda não existe. Ser uma banda para mim não é apenas tocar e gravar, é conseguir envolver pessoas e compartilhar isso tudo com outras bandas também. Desejo a todos um grande 2017 com muito rock’n’roll!!

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