Evoken – “Hypnagogia” (2018) (Relançamento 2020)

CAPA EVOKEN HYPNAGOGIA
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Evoken“Hypnagogia” (2018) (Relançamento 2020)
Death Cult Records | Cold Art Industry Records
#FuneralDoomMetal, #DoomMetal, #DoomDeathMetal

Para fãs de: Shape of Despair, Doom:VS, My Dying Bride

Evoken – “Hypnagogia” (2018) (Relançamento 2020)

Nota: 8,0

Após uma longa pausa de 6 anos desde o álbum “Atra Mors” (2012), a banda Evoken, que possui mais de 25 anos de carreira, lança seu sexto álbum de estúdio, “Hypnagogia”. Originalmente, o álbum foi lançado em 2018, mas a versão brasileira foi disponibilizada somente a partir de julho de 2020. Podemos dizer que a banda, cuja formação conta com John Paradiso (vocais e guitarra), Chris Molinari (guitarra), Dave Wagner (baixo), Don Zaros (teclados) e Vince Verkay (bateria), carimba o seu retorno às atividades demonstrando estarem em boa forma.

“Hypnagogia” é um álbum conceitual e retrata o sofrimento de um soldado da Primeira Guerra Mundial. O militar moribundo invoca uma divindade impiedosa a fim de transformar os relatos escritos no seu diário em uma espécie de armadilha mental para todo aquele que o ler. De acordo com o conceito, aquele que lê o diário, que vem a registrar os momentos de profunda dor e abalo do soldado, manifesta as mesmas angústias do atormentado combatente até tirar a própria vida, perpetuando, assim, o ciclo da desgraça. Depois de partir, aquela parte moribunda da alma do leitor aumenta a dominância do diário sobre o próximo leitor e, cada vez que é lido, seu poder extrapola suas fronteiras até atingir o leitor seguinte. Incrível como, neste álbum, o Evoken consegue transformar as mazelas da Primeira Grande Guerra no elemento menos horripilante dessa trama dramática.

A faixa “The Fear After” possui aquilo que as boas canções de abertura de um álbum deveriam ter, considerando as características melódicas da banda. John Paradiso e Chris Molinari realizam um bom trabalho em suas linhas de guitarra, nesta canção que é densa, intensa e bastante profunda. A frase “A morte finalmente me aceitará ou simplesmente passará por mim?” retrata a inquietação de um homem frente à possibilidade de desencarnar. Em seguida, temos “Valorous Consternation”, canção extremamente soturna, mas que experimenta a agressividade de um legítimo Death Metal Old School, à medida que a música flui. Já na faixa “Schadenfreude”, notamos que os arranjos com dedilhados e os tons comoventes do violino são destaques da composição.  A performance vocal de Jonh Paradiso é marcante e as linhas de guitarra bem melancólicas, algo que me fez lembrar do Anathema, em seu excelente álbum “Pentecost III”. A música “Too Feign Ebullience” traz à memória andamentos melódicos semelhantes ao àlbum “Shades of God”, terceiro trabalho de estúdio do Paradise Lost. Com seu ritmo lento e caliginoso ao longo da primeira metade da música, e guitarra mais pesada e rápida, seguida por violinos, na segunda metade da composição, percebo influências claras de My Dying Bride e Paradise Lost (nos dois primeiros álbuns). A sexta faixa “Ceremony of Bleeding”, nos traz, em seu dedilhado inicial, alguns elementos já percebidos nos trabalhos do Pink Floyd. No desenrolar da música, a banda se utiliza daquela cadência empregada pelo Tiamat no fantástico disco “Wildhoney”, sobretudo, no que se refere ao vocal. Não que a banda tenha tido, nesta canção, a intenção direcionada em sofrer a influência de Johan Edlund, mas é inegável a semelhança.

A obra de arte que ilustra a capa deste trabalho sugere que a luz do dia está se dissipando e as cores do firmamento, cada vez mais rubras. Percebe-se também uma coruja silente sobre os restos de uma cerca destruída – madeiras e arames farpados danificados como resultado dos contínuos embates entre as tropas. Depois de perceber-se dentro do contexto supracitado, prepare-se, caro leitor, ao ouvir “Hypnagogia” e ter a leve sensação de que o romper da aurora se ausentará obstinadamente.

Altamente recomendado para os fãs de Funeral Doom.

André Nasser


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