
Falcun – “Kingdom Come” (2018)
Eat Metal Records
#HeavyMetal, #SpeedMetal
Para fãs de Angel Witch, Iron Maiden, Saxon
Nota: 6,0
De Calcutá, na Índia, até Londres, na Inglaterra são longos 7.957 quilômetros de distância. O que os londrinos do Iron Maiden não imaginavam é que 38 anos depois de estrear nas paradas e revolucionar a história da música, uma banda indiana da famosa cidade da Madre Teresa iria fazer uma verdeira apropriação cultural e tentar reinventar o estilo que saiu do Reino Unido para o mundo.
Não que apropriação cultural seja algum ruim, pelo contrário! O heavy metal precisa muito se reinventar a cada dia para se manter volátil como sempre foi e nada melhor do que ver bandas de fora do eixo europeu surfando nas ondas deixadas por Tony Iommi e cia. Os indianos do Falcun, em seu primeiro disco chamado Kingdom Come, apresentaram uma produção impecável e uma musicalidade fortemente enraizada no New Wave of British Heavy Metal. Para a coisa toda ficar boa, porém, faltou aquele elemento tão importante chamado identidade própria.
O vocalista Abhishek é uma versão oriental de Bruce Dickinson, procurando sempre cantar como ele, imitando os seus trejeitos. Isso pode irritar um pouco quem busca algo novo, mas o disco consegue ter momentos interessantes. No começo, “A Bard´s Tale” já mostra a pegada tradicionalista à la Angel Witch, Saxon, ou qualquer banda pinçada do early 80’s inglês. As guitarras gêmeas estão lá acompanhadas de um pouco de peso e uma certa velocidade na bateria de Bob.
Os indianos apostaram certo em músicas longas no disco como “Vixen” e “Martyr” que ao longo de 8 minutos cada conseguem desenvolver ideias interessantes principalmente nos riffs das guitarras de Anirban e Sam. “Brotherhood of Steel” começa num tom soturno destacando o baixo de Rony e logo muda para algo mais rápido. Não chega a soar como um Frankestein, mas a mudança pode não ser tão palatável para alguns.
Ao final do disco, a sensação é que a banda fez todas as músicas em 1 dia e gastou 1 mês na pós-produção (vale a menção pelo capricho). A lição que fica é que tudo bem ter ídolos na música, só não vale querer ser uma versão 2.0 deles. Apesar de geograficamente estarem distantes do epicentro do metal mundial, o resultado é uma proximidade estilística perigosa com o New Wave… Valeria mais apelar para a escala menor harmôninca e tentar emplacar uma sombra do “Powerslave”, pelo menos estaria no contexto da rica cultura musical indiana.
Gustavo Maiato





