
Fifth Angel – “The Third Secret” (2018)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#HeavyMetal
Para fãs de: Metal Church, Queensrÿche, Savatage
Nota: 9,5
Uma década antes de o grunge dar as caras no início dos anos 1990, a cena musical de Seattle produziu bandas emblemáticas como Metal Church e Queensrÿche. Inspirado pelo sucesso desses, que abdicaram das apresentações em clubes locais para escrever, gravar e lançar suas próprias músicas, o Fifth Angel seguiu um caminho similar. Foram dois álbuns lançados — “Fifth Angel” (1987) e “Time Will Tell” (1989) — antes de a banda se separar sem nunca ter feito um show sequer. Quase trinta anos se passariam até Jaap Wagemaker, da Nuclear Blast Records, após ouvir algumas demos, viabilizar o retorno. À bordo, além de Bechtel — agora também acumulando a função de vocalista — estão o baixista John Macko e o batera Ken Mary, que já tocou com deuses e o mundo, mas, atualmente, dedica-se meio que exclusivamente ao Flotsam and Jetsam.
Em termos de música, “The Third Secret” mostra-se muito mais em consonância com o heavy metal da estreia do Fifth Angel — disco do qual, curiosamente, Kendall Bechtel, hoje principal compositor da banda, não participou — do que com o hard & heavy “comercial” — alguém mais odeia essa palavra? — de “Time Will Tell”. O mesmo vale para a temática: apocalíptica, fantasiosa, com críticas escondidas sob um véu de metáforas. Em termos de vocal, graças aos agudos e vibratos de larga extensão, Bechtel remete ao saudoso Ronald Padavona e alguns de seus herdeiros, como o Geoff Tate de “The Warning” e o também saudoso Midnight, que tanta alegria nos deu à frente do cultuado Crimson Glory.
Na guitarra, os solos virtuosos imperam — alguns com duração excessivamente longa, ok, mas, o você esperaria algo diferente sabendo quem é que dá as cartas na banda? — e as aceleradíssimas bases — também gravadas por Kendall; a volta do antigo guitarrista base Ed Archer se deu quando o álbum já estava prestes a sair; aliás, um abraço, Ed, até hoje um dos caras mais legais que já entrevistei —, obrigam Ken e John a suar a camisa, resultando em bateria e baixo que, de tão precisos, às vezes soam até mecânicos. Coisa de mestre.
No repertório de dez faixas, destacam-se “We Will Rise” — o mote da retomada, a faixa de abertura perfeita para os shows que eu espero que aconteçam —, a excelente balada “Can You Hear Me” — que, escolhida como primeiro single, deixou todo mundo de orelha em pé, meio temeroso acerca do que estava por vir; sentimento que a faixa-título, na qualidade de segundo single e primeiro videoclipe, fez cair por terra — e a obra-prima “Fatima”, que rompendo com o ortodoxo e deixando de lado o debate milagre x construção, narra com um “feeling” soberbo uma das aparições mais famosas da história da Igreja. Que o Fifth Angel tenha voltado para ficar!
Marcelo Vieira





