Genocídio
– “Under Heaven None” (2017)
Urubuz Records
Nota: 9,0
Com muita honra cá estou resenhando mais um álbum do gigante brasileiro (e mundial!), que não dorme nunca, chamado Genocídio. Todos seus álbuns lançados desde sua volta definitiva à ativa no já longínquo ano de 2007, foram resenhados por este quem vos escreve e afirmo categoricamente: QUE PUTA PRAZER NISSO!
Enfim, “Under Heaven None” é o sétimo álbum de estúdio na carreira que se iniciou há “apenas” trinta anos atrás. Muita bagagem, experiência e ganho de causa embutido a cada lançamento, e isso é nítido aqui.
Soando mais introspectivo, brutal, sinistro e agressivo que seu antecessor, “In Love With Hatred” (2013), notei que deram uma priorizada maior na agressividade em detrimento da velocidade. Claro que Joao Gobo senta o braço na bateria sem dó e usa e abusa dos blast beats como poucos, mas nesse álbum notei mais técnica à favor da música. Para quem conhece bem a carreira da banda, tal fato não é de se estranhar já que eles não se repetem NUNCA.
Maiores nuances mais “dark” e “apocalípticos” abrilhantaram ainda mais audição, flertando-os com o Death Metal característico de sua existência com passagens até mesmo Hardcore e Punk.
“Requiescat in Pace”, com seu início numa mescla interessantíssima de Ghost com o peso do Morbid Angel se mostra eficiente e um dos grandes destaques do álbum.
O lado mais Gothic, que sempre acompanhou a banda, sempre dá as caras e a arrastada “Death Of A Dream” nos remete prontamente ao clima de “Posthumous” (1996). Sem contar na belíssima letra que fala do fatídico acidente com a barragem de Mariana (MG) e a morte do Rio Doce.
Muito peso e palhetadas tipicamente Murillo Leite (vocal/guitarra) como, por exemplo, na excelente “I Play Yoir God No More”, na cacetada “Them Arsonists” e solos/violões inspiradíssimos de Rafael Orsi Cecilio mostram que o Metal não está só correndo em suas veias, mas sim em seus próprios DNAs! E estendo isso para o monstro Wanderley Perna que dispensa comentários! Só o nome desse sujeito já temos que reverencia, imaginem suas qualidades como músico e compositor?
Querem mais bons exemplos de brutalidade com ênfase na composição? Escutem as faixas “You’re All Sick” e na magistral versão para “Black Vomit” (Sarcófago) que fez este crítico muito mais feliz (risos).
No lado mais “calmo e lento”, se é que dá pra falar isso, “Winded Sleep” consegue te transportar a outra dimensão pela versatilidade e no lado genialidade “Sömberkkast” mostra um lado totalmente diferente dos padrões Genocídio! Escutem e ajoelhem-se!
Produção limpa, cristalina e que revigora o caos praticado com maestria! Escrevam: “Under Heaven None” vai dar o que falar esse ano e, também, pelas próximas décadas.
Johnny Z.




