
Gotthard – “#13” (2020)
Nuclear Blast
#HardRock
Para fãs de: Pretty Maids, Shakra, Treat
Nota: 7,5
Pela primeira vez desde a morte do vocalista Steve Lee em outubro de 2010, terminei de ouvir um novo disco do Gotthard sem ter ficado com a impressão de que a banda o havia feito sob medida tanto para tentar recapitular glórias passadas – coisa que obviamente não conseguiria, dada a falta do, quem sabe, principal ingrediente responsável pela atemporalidade de discos como “G” (1996) e “Lipservice” (2005) – quanto para obter, por parte dos fãs, o aval de que Nic Maeder era um substituto à altura; coisa que ele havia provado sem esforço quando o single “Remember It’s Me”, sua estreia no posto, foi disponibilizado gratuitamente em novembro de 2011.
As coisas são como são: nem Lee voltará do mundo dos mortos nem o Gotthard voltará a ser como era. Mas isso não impede a banda, sob a esperta batuta do guitarrista Leo Leoni, de, no processo, desenvolver uma nova identidade e, assim, saciar o apetite dos fãs de longa data bem como da molecada. O “novo” Gotthard segue essencialmente hard rock, mas sem aquela preocupação de se manter preso ao rótulo, como se a adoção de um estilo mais diversificado fosse crime inafiançável. E cá entre nós, são quase três décadas de carreira, e não é toda mente criativa que se sente em casa no terreno da acomodação.
Sendo assim, “#13” se sustenta num misto de abordagens mais cruas e diretas, com arranjos rudimentares para os padrões previamente estabelecidos e um inadvertido senso de “tô nem aí”, reforçado por letras de conteúdo explícito e por um clima geral de músicos se divertindo para caramba em estúdio. Talvez “orgânico” seja a palavra-chave por aqui. É, é sim: do baixo estalado a estruturas que remetem ao lado mais cafajeste do Whitesnake, você se sente diante de um disco que é pura carne e osso.
Isso não quer dizer, no entanto, que velhos problemas não persistam: ao menos para este resenhista, quinze músicas, totalizando uma hora, é coisa demais para se assimilar, e a exemplo de discos passados, os “fillers” são perfeitamente identificáveis. No fim das contas, saldo positivo para Leo e os outros, com uma menção honrosa a Nic, cuja voz vêm numa inegável crescente. Bom álbum!
Marcelo Vieira





