Holocausto Canibal – “Crueza Ferina” (2022)
Selfmadegod Records
#GrindCore, #DeathMetal
Para fãs de: Flesh Grinder, Exhumed, Impaled, Carcass
Nota: 8,0
Vindos de Portugal, os veteranos do Grindcore, Holocausto Canibal, apresentam seu novo álbum, “Crueza Ferina”, que se traduz em “crueldade feroz”. Dada à capa visceral de um porco abatido, que ilustra perfeitamente o som feito, ao lado de sua nova adoção da filosofia vegana, é claro que a banda está pegando mais do que uma pequena sugestão do notório filme do qual eles tiraram seu nome e estão dando uma olhada no inabalável mundo de crueldade ilimitada com que a sociedade trata os animais.
O disco abre com “Ad Bizarrem Morem” que é uma gravação de gritos aterrorizados de um porco, que provavelmente encontrará o destino semelhante ao da capa. Depois de um “difícil de ouvir” minuto, uma introdução estrondosa começa, dando o pontapé inicial para um som poderoso, estilo Brujeria, e assim “Êxodo Mortuoso” despeja uma avalanche de blast beats e vocais cavernosos. Um destaque particular pode ser encontrado nesta faixa, já que o monstro do Immolation, Bob Vigna, contribui com um solo que encaixou perfeitamente.
“Epicédio Madrigaz” mantém o ritmo firme, mostrando o porquê de o Holocausto Canibal ser veterano nesse tipo de som. A faixa tem tudo que podemos esperar de um grande clássico do gênero, sem soar bagunçada em nenhum momento, mesmo que para muitos isso pareça apenas barulhos desconexos. O Holocausto mostra também que bandas de Grindcore podem e devem escrever musicas em tempos mais baixos, sem se prender somente a velocidade desenfreada, e isso é nitidamente aparente em “Sinaxe Do Sepúlcro Tafófobo” (veja o final da faixa acima mencionada e a metade de “Ancestrais Ritos Hipóxicos” para confirmar).
À medida que avançamos da metade do álbum para os momentos finais, somos submetidos a alguns momentos extremamente divertidos de selvageria desenfreada. Possivelmente a mais agradável é a tríplice de “Anátemas Nefandos”, “Esquartejado Em Segundos” e “Prenúncios Da Vingança Cavicórnea”, que, embora aconteçam em apenas dois minutos e 23 segundos de duração, atinge o ouvinte como uma surra de socos, chutes e porretes.
No geral, o Holocausto Canibal produziu um álbum perfeito de Grindcore politicamente carregado. A música é forte o suficiente para falar por si mesma e não depende da mensagem para transmitir o horror assassino e irritante de seu assunto. Não estão reinventando a roda, mas certamente é uma revisitação divertida do que torna o gênero tão divertido.
Lucas David




