Host – “IX” (2023)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#ColdWave #SynthPop #GothicRock
Para fãs de: Depeche Mode, Bauhaus, New Order, Siouxsie and The Banshees
Nota: 9,0
Muitas vezes, quando uma banda lança um material que difere muito de seu som original, as pessoas tendem a dizer que poderia ser lançado como um projeto paralelo, e esse é o caso de “IX”, primeiro álbum de estúdio do Host, que traz o cantor Nick Holmes e o multi-instrumentista Greg Mackintosh, da lenda Paradise Lost, deixando de lado o Goth/Doom Metal, pelos quais são conhecidos, e optando por um Synth Pop Dark bem executado.
O álbum abre com “Wretched Soul”, uma faixa dominada mais por instrumentos de cordas, violões e bateria, contando com um solo de guitarra com muita melodia. Ela acaba sendo uma faixa que, um pouco mais trabalhada, poderia estar presente nos últimos lançamentos do Paradise Lost e mesmo sendo mais fraca, serve para dar o tom ao restante do disco. As coisas progridem com “Tomorrow’s Sky”, que invoca a atmosfera de clubes góticos, com uma bateria eletrônica em ritmo dançante e ótimas linhas de sintetizadores, enquanto “Divine Emotion” traz um som mais sombrio, com passagens que fazem arrepiar a nuca, aliado a um videoclipe igualmente sinistro.
“Hiding From Tomorrow” é uma faixa mais animada, e uma das melhores do álbum, com sua vibe eletro-rock, guitarras pesadas e uma bateria contagiante, além de uma letra que fala sobre o medo do desconhecido, mas que mesmo assim, irá fazê-lo dançar. Holmes exibe sua grande habilidade vocal aqui, utilizando diversos modos de cantar, cada um deles com grande potencial para se tornar favoritos dos fãs. Como um todo, “IX” vê Holmes cantando muito mais do que há muito tempo. Esteja ele se alongando para uma alta harmonia ou mergulhando em seu barítono profundo, sua voz soa como se tivesse ganhado força e textura apenas com os anos redescobrindo seu rosnado.
Enquanto isso, Mackintosh é capaz de explorar totalmente seu amor pelo design de som, com sintetizadores que poderiam vir de um lançamento de bandas dos anos 80 ao lado de atmosferas fantasmagóricas, dando espaço ainda para linhas melódicas de guitarra como em “A Troubled Mind”, enquanto “Years Of Suspicion” evoca a comparação com o Depeche Mode, que podemos ouvir no álbum todo.
Muitos podem torcer o nariz por conta da mudança de estilo que a dupla apresenta nesse disco, mas se você der uma chance, e tiver a mente aberta, esse certamente será um disco para ficar no repeat. As músicas de “IX” não entram facilmente na mente, e isso não é um ponto ruim. O Host fez um trabalho que exige que você revisite o disco várias vezes, e com isso descobrir novas camadas profundas e ocultas que, com o tempo, podem fazer do álbum um novo clássico cult. Recomendado!
Lucas David





