
Hutt – “Apocalipster” (2017)
Black Hole Productions
#Grindcore
Para fãs de: Napalm Death, Terrorizer, Nasum, Rotten Sound, Brutal Truth
Nota: 10
Nobre leitor: você já foi atingido por algum objeto contundente na base do crânio que o deixasse atordoado por horas até conseguir recobrar totalmente o discernimento e o equilíbrio? Pois bem, obviamente, espero que não, mas ao ouvir “Apocalipster”, novo torpedo Grind do Hutt, a alegoria descrita acima fará todo sentido.
O Hutt já é conhecido no underground como uma das maiores forças do gênero, e este disco surgiu para consolidar de vez esse fato. Meus amigos, fica até difícil explicar em poucas palavras o quão brutal e desgraçado é este material. É necessário ouvi-lo algumas vezes até o ouvido se desfazer para perceber o quão impactante é “Apocalispter”.
O Hutt parece sofrer de uma “evolução reversa”, pois a cada ano que passa, a cada material lançado, o trio se apresenta mais abjeto, mais imundo e mais controverso, o que para nós – admiradores confessos do genuíno Grindcore-, é uma verdadeira dádiva.
A velocidade atingida é imensurável, com a bateria quase decolando em um ritmo frenético crescente exponencial. A guitarra de 7 cordas de Liandro Zorlac confere ainda mais peso que outrora, abusando dos riffs insanos graves e abafados.Marcelo Appezzato urra como se expelisse um fragmento do diafragma a cada verso vociferado. Selvageria em estado bruto!
Como se não bastasse, a masterização de William Blackmon (do sueco Gadget) e a produção de Ciero DaTribo (Da Tribo estúdios) deixou o resultado final ainda mais grosseiro e aviltante, no entanto com uma qualidade sonora cristalina. As 25 faixas se esvaem como um relâmpago, embasbacando o ouvinte com tanta violência compactada em parcos minutos.
O humor ácido, os trocadilhos bem sacados (“Tiro e Teco”) e a crítica incisiva e mordaz fazem de “Perdedor”, “Nasceu Pra Ser Inglês”, “Serão os Esquimós Índios em Iglus” e “Desempregrind” diamantes brutos que não necessitam de nenhuma lapidação, caso contrário estragaria o produto final. “Apocalipster” personifica o Grindcore na mais perfeita definição do termo. ESPETACULAR!
Ricardo L. Costa




