Sebum Excess Production – “Traumatic Occupational Injuries” (2017)

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Sebum Excess Production
 – “Traumatic Occupational Injuries” (2017)

Cemitério Records
#Goregrind

Para fãs de: Last Days of HumanityGutalaxCarcass (antigo), Rectal SmegmaLymphatic Phlegm

Nota: 8,5

O formato do material, além de curioso, é um espetáculo à parte. O diminuto cd (um cdr de apenas 3″) vem acondicionado em uma mini caixa de DVD. Inovador e vanguardista, de fato, mas o que ele esconde é algo que transpõe a barreira do brutal e do desconfortável.

O Sebum Excess Production é uma dupla de dementes sediados em Petrolina (PE), que pratica o mais grotesco, imundo e perturbador Goregrind do mundo, e olha que eu escuto muita, mas muita podreira, portanto, quando eu digo que o nível de imundície perpetrado pelos caras é de comparação mundial, não é mera força de expressão.

Em “Traumatic Occupational Injuries” (eu amo estes títulos!), Glésio Shitfun Torres (bateria e vocal) e Abraão Karrah (guitarra) extraem de seus respectivos instrumentos o supra-sumo do chorume, da putrefação cadavérica ou, como seu próprio nome denuncia, do sebo em excesso. Esqueça refinamento, harmonia ou melodia. “Traumatic Occupational Injuries” te joga direto num poço de dejetos humanos, tragando-o para a fronteira da mais profunda degradação.

O peso, a sujeira e a distorção são utilizadas da melhor maneira a fim de criar uma massa dissonante de proporções cataclísmicas, onde tudo é frenético, insano e controverso. O Sebum Excess Production se beneficia da produção correta, mas muito primitiva, que propositalmente deixa a sonoridade abafada, grosseira e ininteligível, que são três tópicos primordiais a serem revistos numa genuína formação do gênero. O Goregrind só funciona bem assim, por isso a dupla pernambucana se sai tão bem em sua empreitada.

Os títulos das composições são aquele deleite para os que almejam a medicina forense legal na sua mais verdadeira essência. A arte da capa remete a do clássico mor da bagaceira mundial, “Reek of Putrefaction” (Carcass), demonstrando que os sujeitos beberam muito pus e suco gástrico na melhor das fontes (que nojo!).

Em poucos minutos de sua duração percebemos que o Sebum Excess Production, de fato, preza pelo seu ofício, pois pra “secretar” obras como “Mild Fungal Skin Diseases” e “Several Species of Parasitic Worms”, soando autênticos e relevantes, e não apenas fanfarrões obscenos, denota que esses jovens e respeitados cidadãos têm feeling e respeito pela coisa. Indicado somente para profissionais do extremismo musical exuberante, mas é bom lavar as mãos depois.

Ricardo L. Costa

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