
Jizzy Pearl’s Love Hate – “I’m Not Happy” (1995)
Mayhem
#HardRock, #AlternativeRock
Para fãs de: BangTango, Bulletboys, Shotgun Messiah
Nota: 4,0
O lado ruim de fazer um álbum de estreia perfeito é que às vezes ele pode ofuscar o resto da sua carreira. Temos no Love/Hate um exemplo perfeito disso: “Blackout in the Red Room” (1990) pode não ser perfeito, mas está bem próximo. A qualidade cai vertiginosa e progressivamente nos lançamentos seguintes, “Wasted in America” (1992) e “Let’s Rumble” (1994), mas o fim da linha viria somente na forma de “I’m Not Happy”, cujo título define bem o sentimento geral tanto da banda, notavelmente de mal com a vida, quanto do ouvinte, que, passados os 45 minutos de duração do disco, dificilmente estará 100% feliz ou realizado.
A verdade é que o Love/Hate nunca conseguiu se recuperar do baque que foi ser demitido da Columbia após o fiasco de “Wasted”. E tudo indica que o grupo, à época conhecido por suas bebedeiras e maconhadas, só funcionava em estúdio sob a pressão dos deadlines. Sem uma grande gravadora por trás, ao processo que beirava o “faça você mesmo” do punk rock seguiam-se pouca divulgação e distribuição precária: os poucos que ficavam sabendo da existência do disco tinham dificuldade em encontrá-lo nas lojas.
Pois bem, aqueles que encontraram “I’m Not Happy” nas lojas de cara puderam associá-lo tanto a “Blackout” e “Wasted” por conta da capa, uma pintura esquisita do baixista Skid. Mas essa talvez seja a maior semelhança entre o quarto disco do Love/Hate e seus dois primeiros. Musicalmente, a linha seguida é a mesma de “Rumble”, em flertes fatais com o grunge — que deixou de ser tendência da noite para o dia após Kurt Cobain estourar os miolos em 1994 — e letras que ao tentarem resgatar um pouco do clima brincalhão dos primórdios parecem coisa de criança, como a de “Ola Mola”, erroneamente escolhida como música de trabalho. Aliás, em errar nos singles o L/H é mestre.
Ainda assim, investigando nas profundezas damos de cara com “Love Me Down”, “Lady Jane” e “The End”, que exibem uma faceta melódica que de tão pouco explorada previamente é como se não existisse. O coup de grâce, entretanto, vem na saideira com uma versão high on grass de “I Am the Walrus” dos Beatles. Depois de “I’m Not Happy”, o Love/Hate lançaria mais dois discos: “Livin’ Off Layla”, no qual metade dos vocais foi gravada por Marq Torien (BulletBoys) e “Let’s Eat”, que é basicamente uma empreitada solo do vocalista Jizzy Pearl. Não que alguém se importe com ambos…
Marcelo Vieira





