Junkyard
– “High Water” (2017)
Acetate Records
#HardRock, #GlamMetal, #SouthernRock
Nota: 6,0
Somente quando fui encarregado de resenhar o novo álbum do Junkyard descobri que a discografia da banda vai muito além do autointitulado (1989) e de “Sixes, Sevens And Nines” (1991), ambos lançados pela Geffen — reza a lenda que a semelhança sonora com o Guns N’ Roses foi fator preponderante quando da contratação do quinteto de Austin, Texas pela gravadora. De 2000 para cá foram sete álbuns, incluindo este “High Water”, que acaba de ser lançado em formato simples e deluxe (cinco bonus tracks) pela Acetate Records.
Da formação antiga do Junkyard, apenas o vocalista David Roach e o baterista Patrick Muzingo ainda vestem a camisa. O baixista Todd Muscat (irmão de Brent Muscat do Faster Pussycat) e os guitarristas Tim Mosher e Jimmy James completam o line-up atual. Obviamente, Brian Baker, que desde 1994 toca no Bad Religion, não pôde deixar de perder essa retomada de atividades…
Tendo em mente a sonoridade dos clássicos — uma coisa meio Southern, mas sem a ideologia redneck por trás —, a audição se dá sem maiores surpresas. Há momentos em que a empolgação vai às alturas, no melhor clima de estrada deserta, tequila com verme e vômito no banco do carona da picape. O álcool e seus benefícios sempre foi assunto predileto da banda e em “High Water” não é diferente. Parece que o tempo somente reforçou esse lado, agora, de certa forma, mais explícito e debochado.
Se sairmos em busca de uma nova “Hollywood”, provavelmente daremos com a cara na mureta. Internalizar a ideia de que tais grupos do segundo escalão — OK, os do primeiro também — do Glam Metal jamais nos presentearão com novos sons com potencial de imortalidade e que raras são as bandas que se separam e retomam exatamente de onde pararam em matéria de qualidade e inspiração. Aperte o play despretensiosamente, aumente o som e desça uma do congelador. Não ter potencial para clássico não quer dizer não ter potencial.
Marcelo Vieira





