
Kayak – “Seventeen” (2018)
Inside Out Music
#ProgressiveRock, #ClassicRock
Para fãs de: Jethro Tull, Yes, Genesis, Pink Floyd
Nota: 9,0
A banda holandesa Kayak lança seu décimo sétimo álbum de estúdio mantendo a boa forma e sonoridade impecável. Tendo o co-fundador Ton Scherpenzeel (teclados, acordeon) como o único membro do grupo a tocar em todos os álbuns, temos um trabalho muito maduro, bem tocado e com excelentes músicas.
Eles tiveram um hiato de quase vinte anos sem produzir material novo, entre 1981 e 1998, quando em 1999 foram convidados a participar de um programa de TV em sua terra natal e acabaram por re-lançar alguns dos seus trabalhos de estúdio e ao vivo. Nesse processo a banda ganhou fôlego e emplacou material novo a partir de 2000 com o álbum “Close To The Fire”, que os trouxe até aqui junto com outros 6 álbuns, sendo o anterior a esse “Cleopatra: The Crown Of Isis”.
Com a banda reformulada e depois de 4 anos do falecimento de seu principal parceiro, o baterista e co fundador Pim Koopman, Ton se abre para a possibilidade de lançar material novo mais uma vez, escrevendo a maior parte do material de “Seventeen”.
Bem dentro do gênero progressivo, o material é variado musicalmente em ritmos e levadas. A terceira música “Falling”, por exemplo, é uma bela balada, já a seguinte “Feathers And Tar” começa puxando o andamento para frente e conforme se desenvolve caminha por vários climas diferentes, fora o lindo solo, embora curtinho, do guitarrista Marcel Singor, recém chegado a banda. Na verdade Ton reformulou a banda inteira para a produção de “Seventeen”.
Com harmonias muito bem desenvolvidas, estruturalmente complexo, muitas variações de tom e andamento, bem viajante e com muita orquestração e coros, o material é de alta qualidade e de fácil audição para fãs do gênero.
Destaque para “La Peregrina” e “Walk Through Fire”, duas músicas com a clássica estrutura do Rock Progressivo, ambas com mais de dez minutos e todo tipo de variações que uma peça desse tamanho costuma trazer dentro do estilo, incluindo o parágrafo anterior completo. Uma das minhas preferidas é “Ripples Water”, instrumental e com clima bem introspectivo trás uma atmosfera de despedida e contemplação. Lindíssima!!!
Outra coisa que achei bem interessante é que embora fique clara a qualidade dos instrumentistas de um modo geral, o que se ouve não é um bando de virtuosos malucos a serviço do próprio umbigo e da auto felação. Ao contrário, nota se o trabalho de músicos extremamente capazes e a serviço da “Deusa Musica”, o que me fez gostar ainda mais do material. Esta de parabéns o quinteto que vem nos brindar com um projeto de alto nível e com muito “frescor” depois de tantos anos de estrada.
Aos amantes do gênero recomendo devorar o material com tímpanos e martelos.
Rafael Lobo





