Lacrima Mortis – “Posthumous” (2020)

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Lacrima Mortis – “Posthumous” (2020)
Talheim Records
#DoomDeathMetal#FuneralDoomDeathMetal

Para fãs de: Rotting KingdomMourning DawnEvokenThergothonMorgion

Nota: 9,0

É inegável que o Brasil é um celeiro e uma referência, quando o assunto é Doom Metal. Dos quatro cantos desse polarizado país, saem diversos representantes do gênero a cada mês/ano – cada uma a seguir uma fórmula e a ter uma postura sonora definida ou não. É justamente essa postura e esse perfil criativo que tornam o nosso Underground tão digno, admirado e respeitado, fala-se menos e faz-se mais, substância antes de verbalização gratuita.

Vindo de Blumenau, Santa Catarina, a Lacrima Mortis é uma jovem banda formada por músicos que já tem um certo tempo de cena – Reaper (baixo), Scavenger (bateria) Baud (guitarra), Requiem (guitarra) e Dread (vocais), lançaram em 2017 o “Optare Mortem” – um ep com duas faixas e uma intro, que eram totalmente mergulhadas no espectro do Death/Doom Metal dos 90’s, mas com espaço para algo mais melódico e até, atual, um tanto cru na verdade, mas honesto em sua proposta e não soando “plástico”.

“Posthumous” chega após uma espera de três anos e adianto, a espera realmente compensou, ouvimos um disco poderoso, de formas definidas, profundo e orgânico. A produção é equilibrada, discernível, mas não pura, aquela “sujeira” necessária se faz presente. As composições são de um peso caótico, opressivo e perturbador, com enredos melódicos e passagens, que vão do Atmospheric ao Funeral Doom, passando pelo Black até chegar ao Dark Metal.

Epístolas como “Miserere”, “The Ruins of Desolation” e “Distress & Decadence” revelam toda majestade do disco – amargas, depressivas, obscuras, porções do abismo em forma de música. A quarta faixa “Words Of Blood” é uma jornada pelos ambientes escuros da existência: o umbral na forma de um Funeral Doom/Death cavernoso e inóspito. O interlúdio “Saudade” traz uma brisa leve e calma ao disco, algo como Estatic Fear ou Celestial Season da época do Solar Lovers, uma beleza dolorida, eu diria.

“Imprisoned In Death” é mais um destaque, riff sobre riff, obscuridade e peso. Interessante como as faixas não destoam uma das outras, são equilibradas entre si e funcionam dentro do álbum como se estivessem interligadas, sendo divisões de uma única peça num trabalho conceitual.

Próximo a conclusão – “Optare Mortem” e “Shades Of Destiny” – ambas amparadas por ótimas melodias e andamentos intrincados. A primeira sendo soturna e climática – “thergothoniana”, a segunda por sua vez, apresenta arranjos mais dinâmicos, proeminentes e maior velocidade, ainda que não saia da lógica e nem da uniformidade do trabalho, apenas um relevo e/ou, uma textura diferenciada dentro do mesmo.

É válido ressaltar as fantásticas linhas de teclado criadas pelo convidado, Fernando Nahtaivel (Insane Devotion, Eternal Sorrow, Great Vast Forest), misteriosas, tétricas e sinfônicas, mas sem jamais cobrir ou sufocar as composições e sim, integrando-as, como uma neblina que integra a paisagem num dia cinza de inverno.

“Posthumous” é melancolicamente brutal – intenso, profundamente negro, densamente pesado e vasto em suas reflexões sobre a vida e a morte – um disco indispensável aos fãs do gênero e reais apreciadores do Metal Extremo Underground.

Fábio Miloch

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