
Living Louder – “Corsair” (2018)
Independente
#HeavyRock, #StonerRock
Para fãs de: Black Sabbath, Lynyrd Skynyrd, Monster Truck, Allman Brothers
Nota: 8,0
Sem dúvidas, “Corsair” é um disco que se destaca pela qualidade e não pela inovação em si, afinal, o revival do Classic Rock orgânico, de valvuladas referências ao Blues Rock, não é propriamente um novidade, e até dá mostras de certa saturação no mercado atual.
Saturação que não afeta esse segundo disco do Living Louder, power trio paulista nascido em 2016, que promove uma interessante fusão de Black Sabbath como Lynyrd Skynyrd. Sim, a “chapação” urbana e sombria dos ingleses junto aos aspectos “rurais” e “matutos” dos sulistas. E basta uma conferida em “Deliver Us From Evil” pra ver que a fusão está bem equilibrada e nada heterogênea. Na verdade, as costuras estão bem escondidas, gerando composições com alto nível de adrenalina.
O groove das guitarras aparecem com tempero southern, já o do baixo vem com o óleo e a poeira do proto-metal herdados pelo Stoner, nos agraciando com doses generosas do mais puro Rock de aspirações setentistas. As texturas e timbragens estão certeiras, mas a produção, inegavelmente orgânica, me soou um tanto abafada demais. Talvez esta seja a forma ideal de catalizar a fórmula, mas acredito que uma equalização um pouco menos abafada e uma timbragem mais rústica dariam mais potencia, principalmente aos momentos de jams, como em “An Ace Upon My Sleeve”, e aos esbarrões no Heavy Metal, bem feito em “Shoot to Kill Me”.
Porém, não pense que o Living Louder se perde em circunlóquios periódicos só por ler a palavra “jam”. No geral, as composições são simples, movidas a guitarras pesadas, letras bem sacadas, refrões fáceis de marcar, e inspiração melódica do blues, principalmente nos riffs e nos belos solos. Simples, mas com personalidade de quem já definiu o próprio estilo. Destaque ainda à estradeira “Sweet Spot”, ao peso sulista de “Half a Mind”, ao Blues Rock indecente de “Raw Meat” (com vocais interessantes), e à ousadia flamejante de “Running Errands with Mr. D”.
Acredito que esse segundo passo discográfico possa dar ainda mais impulso à repercussão mundial causada pelo primeiro trabalho, de 2017, porém, ainda existem algumas arestas a serem aparadas, principalmente no quesito produção, que pode ser o fator decisivo na mudança de patamar da banda, pois domínio da fórmula o trio já mostrou que tem!
Marcelo Lopes Vieira





