Marduk – “Memento Mori” (2023)
Century Media Records
#BlackMetal
Para fãs de: Dark Funeral, Gorgoroth, Watain, Funeral Mist
Texto por Lucas David
Nota: 9,0
Cinco anos após o lançamento de “Viktoria” o Marduk retornou, e em ótima forma, nos apresentando mais uma explosão sonora na forma de “Memento Mori”, 15° álbum de uma carreira que deixou sua marca no Black Metal, lançado via Century Media Records.
É certo que nos 33 anos da existência da banda, eles já proporcionaram ao estilo alguns de seus mais cruéis e inegáveis clássicos como “Panzer Division Marduk” (1999), com uma evisceração sonora, “Frontschwein” (2015) e “Viktoria” (2018) e suas avalanches militares, mostrando que o Marduk acerta com maior precisão e intensidade do que outras bandas. O fundador e guitarrista Morgan Håkansson usou esse período de cinco anos para colocar as músicas em forma, e alinhar seu trabalho do modo que desejava; e isso pode ser notado desde o começo do disco.
“Memento Mori” abre com a faixa-título, uma avalanche rápida e destruidora. A faixa é tão furiosa que poderia muito bem-estar em “Panzer…”, já que ela se assemelha muito com o que foi feito no disco. “Heart of The Funeral” também é uma pancada, mas de certa forma mais controlada do que a anterior, enquanto “Blood of The Funeral” é outro arrasa-quarteirão, apresentada em uma velocidade desumana e com um grito aterrorizante de Mortuus (outro destaque do álbum, que parece incansável).
A trinca inicial serve para mostrar como o Marduk está mais irritado e agressivo. Os temas bélicos deram lugar à morte e as questões relacionadas a ela, mas sem perder a essência do mal e da blasfêmia.
“Shovel Beats Sceptre” é mais cadenciada, mas mantendo o peso e as doses sombrias, vista também nos materiais anteriores. O melhor momento do álbum está presente em “Coffin Carol”, que distribui velocidade, técnica, insanidade e tudo o que o Black Metal tem de melhor. Impossível não a destacar, mesmo em meio a tantas faixas ótimas, já que tudo nela sangra e invoca o mal presente no gênero.
“Marching Bones” é um ataque rápido movido pelo punk com um toque imundo de Black ‘n’ Roll; “Year of the Maggot” faz uma pausa dramática antes de desencadear outro tsunami de violência imparável; “Red Tree of Blood” é mais rápida e chocante. Assim como os riffs de Morgan e os vocais de Mortuus, devo passar os holofotes ao baterista Bloodhammer, que trabalha de forma precisa atrás do kit, além de dar mais uma aula de brutalidade bestial, e ao baixo de Devo Andersson, que tem momentos brilhantes, mesmo em meio a fúria desenfreada das canções.
O disco termina com a marcha fúnebre industrial de “As We Are”, um lembrete útil de que Marduk também pode gelar o sangue em andamentos mais lentos.
No final, os cinco anos passaram num piscar de olhos. A banda apresentou aqui um trabalho ótimo e com momentos marcantes para sua discografia. Alguns podem ter reclamado da “falta de variedade entre as músicas”, mas estamos falando aqui de Black Metal: puro, objetivo e matador, sem firulas. É isso que o Marduk faz, é nisso que eles são bons, e sorte a nossa que “Memento Mori” está entre nós.




