
Ministry – “AmeriKKKant” (2018)
Nuclear Blast
#IndustrialMetal, #AlternativeMetal
Para fãs de: KMFMD, Nine Inch Nails, Marilyn Manson
Nota: 9,5
Este é o terceiro trabalho de estúdio do Ministry desde quando seu líder-fundador decretou o encerramento das atividades da banda, em 2007, com o lançamento do álbum “The Last Sucker”. E não é que o zumbi-Ministry vem lançando trabalhos interessantes nesta década?
“Amerikkkant”, na verdade, é um manifesto anti-Trump que denuncia sua política governamental de direita, fascista, xenofóbica e belicista, e o Metal Industrial é a trilha sonora sobre a qual Al Jourgensen destila todo seu ódio e oposição ideológica a este respeito – valendo-se de “scratches” e “loops” da voz de Donal Trump em seus discursos, Al estabelece interessante duelo de ideias com o Presidente dos EUA – a começar pela capa do álbum e título (formado pela junção de America com o KKK, abreviatura de Klu Klux Klan, e o prefixo ANTI).
Sob o aspecto meramente musical, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos álbuns, quando as guitarras estavam geralmente no comando, tornando o som da banda mais Metal do que Industrial, desta feita, o lado Industrial prevalece sobre o Metal (levando em consideração o critério mais/menos destaque para as guitarras).
A porrada come solta ao longo de toda a audição, começando com os malabarismos de programadores e sintetizadores das primeiras 4 faixas, que aparentam constituir um ciclo introdutório em que a música serve mais de ambiência ao Manifesto Político de Al do que pelo aspecto musical em si, embora sejam compostas com muito bom gosto e criatividade Industrial.
Considerando que duas destas faixas têm mais de 8 minutos de duração consistindo em boa parte de “loops/scracthes” das falas de Trump, a coisa pode se tornar cansativa para os não iniciados, dando a impressão de que são mais interessantes quando ouvidas acompanhadas de imagens em um vídeo-clipe (alíás, há um clipe bem legal para o “single” “Twilight Zone”).
Depois disso, temos uma sequência de 4 faixas mais tradicionais de Industrial Metal na escola que o próprio Ministry deu à luz a partir de “The Land of Rape and Honey” (1988) e “The Mind Is A Terrible Thing To Taste” (1989), com destaque para a porrada “We Are Tired Of It”, com aquela pegada eletropunk “levanta defunto” que torna impossível a indiferença diante de tamanha violência sonora.
Para dar o contorno de álbum-manifesto conceitual, para encerrar voltam à tona as ambientações carregadas de programações de sintetizadores emulando instrumentos de corda com mais uma música de 8 minutos (“Amerikkka”).
Trata-se de um trabalho que deve agradar aos fãs de longa data da banda e que somente chamará a atenção de novos ouvidos em virtude da batalha que trava entre os discursos de Trump e a fúria lírica de Al Jourgensen, pois a sonoridade da banda continua como tal e qual.
E, em épocas em que os discursos de ódio e intolerância política estão em voga, o Ministry nos ensina como elevar isto a proporções extremas. Afinal, “Dad Al, Knows It All”.
Wallace Magri





