
My Dying Bride – “The Ghost of Orion” (2020)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#DeathDoomMetal, #DoomGothicMetal, #DoomMetal
Para fãs de: Paradise Lost, Novembers Doom, Saturnus, Anathema (antigo), Evoken
Nota: 9,0
O titã britânico do Doom Metal, My Dying Bride, volta após longos cinco anos de silêncio e adversidades; a prova em viva espécie da máxima nietzscheniana: “O que não mata, fortalece”.
Fundada nos anos 90, a banda faz parte da hierática trindade precursora do Death/Doom Metal – ao lado de seus pares – Anathema e Paradise Lost.
Sua extensa e referencial discografia, é em sua maior parte constituída por registros notáveis, singulares e de muito bom gosto. Dentre seus 13 discos, 14, se o “Evinta” também for contado, três são cultuados por verdadeiras obras-mestras: “As The Flower Withers”, “Turn Loose The Swans” e “The Angel And The Dark River” — 1992, 1993 e 1995, em ordem cronológica.
“The Ghost Of Orion” é marcado por turbulências de ordem pessoal, a filha de 5 anos do vocalista Aaron Stainthorpe havia sido diagnosticada com câncer e devido ao seu tratamento (bem sucedido), a banda adiou shows e também a produção do sucessor de “Feel The Misery” (2015). Neste ínterim, o guitarrista e fundador, Calvin Robertshaw e o baterista, Shaun Taylor-Steels rompem com a banda, para suas vagas, são recrutados o baterista, Jeff Singer (ex – Paradise Lost) e o guitarrista, Neil Blanchett (Valafar).
Devidamente indumentado com uma belíssima arte de Eliran Kantor – (Testament, Tristania, Bloodbath), o novo álbum é o primeiro pela Nuclear Blast e finda a longa parceria com a Peaceville Records. Fugindo à regra dos lançamentos anteriores, o disco traz uma produção limpa, forte e destaca cada instrumento de forma isolada, e também em conjunto. As características marcantes e a assinatura típica do My Dying Bride estão nele – os riffs mergulhados em melancolia, os fraseados melódicos, os violinos e as poéticas letras, declamadas com a dramaticidade e a paixão que a voz de Aaron possui e transmite.
“Your Broken Shore”, o primeiro single a ser lançado, é um erupção de criatividade e emoções diversas, as linhas lastimosas dos violinos de Shaun MacGowan são de uma beleza boreal, o pulso do álbum é aberto e agora, só nos resta resta sangrar junto a banda. “To Outlive The Gods” e “Tired Of Tears”, são reais testemunhos de como o My Dying Bride trabalha os sentimentos e as melodias de forma alquímica, com a ciência de quem há 30 anos transforma o pesar em canção.
Lindy Fay Hella (Wardruna), cede seus vocais à bela e etérea, “The Solace”, um tanto diferente do habitual da banda, mas nem por isso menos digna do álbum. A monumental, “The Long Black Land” investe todas as forças num peso absurdo, com porções de Death Metal e uma certa simplicidade, sendo a música que mais memora o passado dos titãs, obscura, densa e intensa. Andrew Craighan é um mestre sem igual na arte de criar riffs que traduzem e simbolizam o que é o Doom Metal.
“The Ghost of Orion” (faixa), traz uma calma sombria ao disco e prepara o cenário perfeito para “The Old Earth”, cujo início também calmo, logo será rompido por um descomunal e soturno, peso. Jeff Singer desenvolveu linhas magistrais em todo o disco, suas trilhas de bateria são de uma precisão e solidez sem precedentes, basta ouvir atentamente as supracitadas “The Long Black Land” e “The Old Earth”. “Your Woven Shore” é o desfecho mais belo que já ouvi em um disco, a última gota do nanquim da melancolia sobre o papel comovente que é cada novo lançamento do My Dying Bride.
Ainda que seja um álbum que musicalmente explora a simplicidade, “The Ghost Of Orion” cresce e dilata-se a cada vez que é novamente ouvido, e tal qual a caixa de Pandora, ele liberta os mistérios, os males e os encantos do mundo.
Fábio Miloch





