
Neal Morse – “Jesus Christ the Exorcist” (2019)
Frontiers Music
#ProgRock, #RockOpera
Para fãs de: The Neal Morse Band, Ayreon, Queen, The Dear Hunter
Nota: 7,5
O incansável e talentoso Neal Morse retorna com mais um álbum de sua carreira solo. Sim, o cara apresenta seu segundo álbum no ano de 2019, visto que recentemente a The Neal Morse Band lançou o interessante “The Great Adventure”.
Acredite, o cara consegue explorar facetas diferentes do progressivo em diversos projetos onde ele assina (ou assinou) seu nome (como Flying Colors, Transatlantic e Spock’s Beard). Se na The Neal Morse Band ele se atém ao Prog Rock/Metal, na sua carreira solo o leque é ainda mais amplo, usando mais de melodias emparelhadas ao Pop, mas com elegância e criatividade, emoldurando a mensagem cristã que marca sua discografia solo.
“Jesus Christ the Exorcist”, uma espécie de Rock Opera progressiva, chega como fruto de dez anos de trabalho, e inclui um time de respeito entre músicos e vocalistas convidados, em quase duas horas de música registradas num disco duplo. E até por isso, Neal Morse apresenta algo diferente do esperado, o que já é um mérito!
No repertório temos baladas emocionais dividindo espaço entre as texturas roqueiras e as eruditas das composições mais progressivas, mas sempre mantendo aquele clima de musical da Broadway.
Até por isso, creio que não seja um disco de assimilação imediata. Não por ser complexo e hermético, mas por precisar de audições completas, do início ao fim, para mergulhar no conceito baseado na jornada bíblica de Jesus, e ter a experiência completa do projeto. Isso até seria motivo para impossibilitar o apontamento de destaques no trabalho, pois seria como indicar apenas um capítulo de um livro, mas “Jesus Temptation” chama a atenção pela vibração que remete ao Queen, e “The Madman of the Garden” pelo diálogo com a sonoridade dos outros projetos da carreira de Neal.
Porém, mesmo louvando a ousadia e criatividade do projeto, é fato que ele parece pouco espontâneo (como ouvimos mais evidente na primeira parte do trabalho), com instrumental mais técnico do que dotado de sentimento, mas, principalmente, soa calculado no encaixe das melodias vocais e na harmonização das diversas vozes que interpretam cada um dos personagens (como em “The Woman of Seven Devils”).
Creio que esses detalhes poderiam ser melhor trabalhados, fazendo com que algumas ideias funcionassem de uma forma melhor. Afinal, o princípio de uma Opera é grandiloquência melódica e o impacto emocional gerado pela dramatização, como ouvimos na icônicas operas rock da história.
Vale a pena conferir o disco, mas registro que, para mim, Neal Morse apresentou discos bem melhores que “Jesus Christ the Exorcist” em sua carreira solo. “Testimony” (2003) é um deles.
Marcelo Lopes Vieira





