
Nestor – “Kids In A Ghost Town” (2021)
Independente
#HardRock, #AOR, #MelodicRock
Para fãs de: Europe, Bon Jovi, Def Leppard, Van Halen
Nota: 10
“Nossa missão: Restaurar a glória do rock. Proteger o legado e reinventar a iconografia do rock. Ser atual e tocar o mais rápido e alto que pudermos”. Essa declaração está impressa no encarte do álbum de estreia da banda Nestor. Será que eles atingiram o objetivo? Vamos ver…
Desde o lançamento do single “On The Run” havia um burburinho sobre o álbum de estreia da banda. Mais dois singles foram lançados e o clamor aumentou chegando a ser alçado a lançamento do ano. Na época achei essa suposição um pouco forçada, ainda mais com uma banda de nome Nestor rsrs, mas será que havia razão na voz do povo? Vamos lá…
Sobre o nome da banda, li uma entrevista na qual o vocalista Tobias Gustavsson explicou: “O nome vem da mitologia grega e se refere a um ancião, um sábio, mas como nós somos todos grandes fãs de Tintin o nome é do mordomo do Capitão Haddock nos quadrinhos e ele é um personagem muito legal, haha!”, completam a banda Jonny Wemmenstedt (guitarra), Mattias Carlsson (bateria), Marcus Åblad (baixo) e Martin Frejinger (teclados).
Reza a lenda que em 1989 cinco amigos de infância em Falkoping (Suécia), almejavam o estrelato do rock. Mas ao mesmo tempo em que com uma mão a Vida, através da realidade, minou esse sonho, com a outra mão devolveu a possibilidade de realizá-lo durante a pandemia. Então os cinco, mais de trinta anos depois, começaram a trabalhar em seu álbum de estreia.
Produzido pelo vocalista Tobias Gustavsson, mixado por Sebastian Forslund (The Night Flight Orchestra), masterizado por Thomas “Plec” Johansson e com colaboração de Andreas Carlsson, o homem por trás de “Everyday” do Bon Jovi e canções de Europe a Paul Stanley, o álbum combina rock melódico, AOR, pop-rock e hard rock com músicas cativantes, incríveis melodias, refrões brilhantes, riffs poderosos, instrumental impecável e uma super produção, sem ser super produzido, relembrando a atmosfera cativante dos anos 80.
Sendo notoriamente uma homenagem à época de ouro do estilo, “Kids in a Ghost Town” é o álbum que toda banda atual de rock melódico gostaria de lançar.
Acha exagero ou não acredita nisso? Escute “On The Run”, a epítome do hard rock, ou “1989” uma tour de force do estilo, ou ainda a matadora música título ou mesmos, a melhor das baladas do álbum, a incrível “We Are Not OK”, sem mencionar a excepcional “It Ain’t Me” que abre com um diálogo de “Sobre Ontem à Noite”, além da viciante “These Days”.
Mas a magia não acaba por aí, já que qualidade é algo que exala pelos poros deste álbum. Preste atenção na contagiante “Perfect 10 (Eyes like Demi Moore)”, apesar de sua letra brega, ou na balada “Tomorrow” um dueto com um dos ícones dos anos 80, Samantha Fox, ou mesmo “Stone Cold Eyes”, a la “Hold Back The Night” do Giant e sua energia estrondosa, além da preciosidade de “Firesign”.
Muitos tentaram recriar os dias de glória do hard rock dos anos 80 e poucos conseguiram, mas, Nestor, sem precisar (re)inventar a roda, criou um álbum que não se encontra todos os dias.
João Paulo Gomes






