Palace Of The King – “Keep Right With Your Maker” (2018)

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Palace Of The King
 – “Keep Right With Your Maker” (2018)

Golden Robot Records
#HardRock#ClassicRock

Para fãs de: AerosmithBlack SabbathDeep Purple

Nota: 9,0

Alguns cariocas devem ter lido o nome dessa banda com um sorrisinho no rosto, afinal, Palácio do Rei é o nome de um conhecido motel na Zona Norte da cidade. Distante, porém, das suítes gigantes e piscinas climatizadas, o Palace of the King vem desde 2014 praticando um som que pode ser definido como classic rock revisited. Mas, ao contrário de toda uma safra de bandas da última década que parecem empenhadas em se tornar o novo Led Zeppelin, o Palace Of The King não ostenta aquele visual de crente tradicionalista tipo Amish — nada de macacões fodidos, sandálias de pneu e pinta de professor de universidade pública — nem conta com um vocalista cujo ideal é tão somente obter a aprovação pública de Robert Plant. Aliás, o registro de Tim Henwood (ex-The Superjesus, ex-Rogue Traders), que além de cantar é quem dá as cartas por aqui, passa longe do castrato: apesar da origem australiana, o cara soa mais como um Steve Lee do que como um Bon Scott.

Terceiro álbum de estúdio do Palace Of The King, “Keep Right With Your Maker” teve lançamento oficial no último dia 23 e, já na abertura com “I Am The Storm”, carimba o passaporte rumo à aceitação pelos paleontólogos musicais que acham que nada posterior aos anos 1970 presta. Na sequência, “It’s Been a Long Time Coming” dá a impressão de que o grupo, se quisesse, poderia ocupar o posto deixado pelo saudoso Wig Wam no cenário atual. Só que o single, por melhor que seja, é total peixe fora d’água no contexto do álbum; como disse anteriormente, a ideia é revisitar o clássico, não soar como o hard europeu do novo milênio, e o que se ouve no decorrer da meia hora seguinte não deixa pedra sobre pedra: “Move Through the Fire” é o Aerosmith de “Toys in the Attic”, enquanto “Said the Spider to the Bird” conjura uma quimera de Deep Purple — notavelmente pelo timbre do teclado — com Santana por conta da jam em que a faixa se converte em certo ponto.

Há espaço ainda para uma incursão lisérgica movida à wah-wah (“The Serpent”), o momento sabático com direito a um timbre chupadaço de Tony Iommi (“Fly Like An Evil”) e “Back on My Feet Again”, que é a “Kashmir” dos caras; um número de proporções épicas ainda que sem pretensões épicas.

Marcelo Vieira

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