
Ao longo de seus pouco mais de 41 minutos somos brindados com uma produção cristalina e propícia, que não apenas deixou todos os instrumentos nivelados e nítidos, mas que soube também, evidenciar a qualidade dos músicos seja no desempenho em conjunto, onde criam paredes sonoras intrincadas, seja nas atuações solitárias — vide o desenvolver das trilhas de bateria creditadas à criatividade de Rickard Gustafsson e a bela caligrafia que os guitarristas Mattias Johansson e Jonathan Jansson desenham em todo o percurso do álbum.
“Marching Out Of Babylon” possui poucos relevos, sendo mais reservado ao equilíbrio das composições e a energia que cada uma delas emana que a malabarismos técnicos ou as tão enfadonhas excentricidades progressivas. E mesmo que o registro traga noções mais rebuscadas e quase matemáticas, as mesmas surgem esporádica e naturalmente, levemente e mais como um complemento ou adorno — neste setor, tanto a faixa título com seus mais de sete minutos de climatizações épicas e implacável peso; quanto a portentosa “Phoenix Rising” são os destaques. Essa última com um trabalho vocal primoroso tanto no percurso quanto nos segundos finais, quando os mesmos aspiram ares mais épicos e acertam ao dar um tom dramático a mesma.
Os demais destaques onde o Pantokrator exibe sua desenvoltura ao enquadrar arranjos e também sua capacidade de forjar não apenas uma estética sonora, mas uma identidade bem definida são: “Wedlock” (com seu corpo instrumental perfeito, ótimos vocais, ótimo refrão e um inspirado solo assinado por CJ Grimmark, Narnia); “Crossroads” (faixa digna de figurar nos melhores trabalhos do At The Gates, Dark Tranquillity e outros medalhões da mesma estirpe — nela às seis cordas brilham nas mãos de Jani Stefanović — o homem dos mil e um projetos, tais como: The WayMaker, Zhakiah e outros) e “Day Of Wrath”, outra que resgata o ‘DNA’ do sempre bom At The Gates e do “um dia já foi muito bom”, In Flames.
O restante das composições seguem o padrão de qualidade do álbum — indo de boas até ótimas. Talvez o momento que mais se aproxime de mediano seja justamente a faixa que me levou a ouvir a banda com mais atenção, “We The People”, longe de ser dispensável e com um solo excelente, o problema é que ao lado das demais ela soa simplesmente normal.
“Marching Out Of Babylon” tem fúria e melodia, precisão e até mesmo melancolia, como todo bom álbum que tem como herança todo um movimento aclamado até agora, o entalhador de caráter conhecido por “The Gothenburg Sound”. Um legítimo manuscrito sonoro, grandioso, coeso e natural. As páginas dedicadas ao influente Metal sueco acabam de ganhar mais um capítulo e esse tem ao seu final a assinatura do Pantokrator.
Fábio Miloch





