
Paradise Lost – “At The Mill” (2021)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#DeathDoomMetal, #GothicDoomMetal, #GothicMetal #GothicRock
Para fãs de: Moonspell, Tiamat, My Dying Bride
Nota: 9,0
Mais de 32 anos de carreira e uma discografia vasta, sólida e marcada pelo visionarismo. Em 2020 os gigantes britânicos do Paradise Lost entregaram o seu décimo sexto álbum de inéditas, o muitíssimo elogiado “Obsidian”. O ciclo natural, hipoteticamente seria: lançamento — elogios colhidos de fãs e critica — e shows, porém, a pandemia se instalou de vez e o mundo simplesmente (e necessariamente) parou. Pessoas se viram privadas de sua liberdade por uma boa e maior causa, claro, e tudo que até então era certo, tornou-se instável, cinza e doloroso.
“At The Mill” (Nuclear Blast/Shinigami Records) é fruto destes tempos de esperança em “modo avião”. O Paradise Lost assim como tantas outras bandas se viu com um belo e poderoso álbum em mãos, mas impossibilitado de fazer digressões. A saída para manter-se em evidência foi apelar para a tecnologia e no dia 5 de novembro de 2020 a banda realizou uma apresentação via streaming diretamente do The Mill Nightclub, situado em Bradford (West Yorkshire).
A captação ficou sob a responsabilidade de Ash Pears, Les Smith (Anathema) cuidou da mixagem e a masterização ficou a cargo de Jaime Gomez Arellano (Ulver, Skepticism, Hooded Menace). A produção em sua totalidade é estupenda — nítida, orgânica e esparsa, toda a energia, personalidade e peso do que seria uma apresentação realmente ao vivo é encapsulada por ela. Sente-se o baixo, a bateria é natural e sem muitos truques, mas o real destaque fica para a performance dos guitarristas Greg Mackintosh (solos e riffs impecáveis) e Aaron Aedy (guitarra base não é de forma alguma papel secundário) é preciso classe, feeling e segurança, o corpo das composições depende disso. Quanto a Nick Holmes, como canta esse inglês carrancudo!
Com sua competência e minucia habitual a banda desfila com clássicos de quase todos os seus álbuns e respectivas fases, incluindo, claro, faixas de seu mais recente e elogiado trabalho, “Obsidian”. É interessante notar como as composições se nivelaram e se completaram na apresentação, assim sendo, extrações do “Gothic”, “Shades Of God”, “Icon” e “Draconian Times” fluem magnificamente bem ao lado de temas extraídos dos não muito bem compreendidos “One Second” e “Host”. Ao todo são 16 faixas encapsuladas em uma hora e treze minutos — em suma, uma bela e mágica jornada pelas veredas sonoras desse longevo e criativo gigante.
Pegue um bom vinho (ou a bebida de sua preferência), coloque o “At The Mill” para rodar, disponibilizado no Brasil pela sempre competente Shinigami Records, e caso seja de leitura, recomendo o livro “No Celebration” —, a biografia oficial da banda lançada aqui pela também sempre competente Estética Torta. Pronto! Acabei de fornecer o combo/dica da noite. Boa audição, bom vinho e boa leitura (não necessariamente nessa ordem).
Fábio Miloch





