Queensrÿche – “Condition Hüman” (2015)

63
Compartilhe

Queensrÿche“Condition Hüman” (2015)
Century Media Records | Hellion Records

Nota: 9,0

O Queensrÿche vinha de uma sequência constrangedora de lançamentos quando da gota d’água ocorrida nos bastidores do show de São Paulo em 2012 que levou à saída do vocalista Geoff Tate. A entrada de Todd LaTorre teve resultado imediato: “Queensrÿche” é, sem pestanejar, o melhor trabalho desde o três vezes platinado Empire, e ao vivo a banda pôde reincluir sons há muito barrados por Tate, que, na mesma proporção que não estava mais dando conta do recado, tinha total predileção pelo material mais recente e esquisito do grupo. Dado esse clima de lua de mel permanente, o Queensrÿche não tardou a gravar um segundo álbum com Todd e, de fevereiro a maio de 2015, entrincheirou-se nos Uberbeatz Studios — um dos sete estúdios utilizados para gravar “Queensrÿche” na virada de 2012 para 2013 —, apenas saindo de lá tendo em mãos um trabalho ainda mais consistente, capaz de rivalizar com aqueles lançados nos tempos de cabelos rebeldes e esvoaçantes.

Em “Condition Hüman”, LaTorre não nega a qualidade de filho pródigo e canta como um Tate no auge. É fechar os olhos e imaginar o velho Geoff em sua melhor forma e ainda não seduzido pelas inovações que acabariam por descaracterizar sua obra. A nível de composições, o bom gosto prevalece; nada de exageros ou coisas que não deem para ser reproduzidas no palco da maneira mais orgânica possível. Falar sobre a competência técnica de Michael Wilton (guitarra), Eddie Jackson (baixo) e Scott Rockenfield (bateria) seria chover no molhado, mas é sempre bom ressaltar que os três têm vaga certa entre os melhores instrumentistas do metal mundial. A segunda guitarra permanece a cargo do tatuado Parker Lundgren, ex-marido da filha de Geoff Tate. O mundo é um ovo mesmo.

“Arrow Of Time” dá início à peleja com ataque duplo de guitarras em harmonia, aspecto que permaneceu inalterado, mesmo nos piores momentos do Queensrÿche no passado. Em seguida, “Guardian” incorpora o espírito de “Operation: Mindcrime” ao incluir a linha “Revolution Calling!” em seu refrão. Letra inspiradíssima e mistureba de sensações fazem de “Toxic Remedy” um dos destaques. No mesmo esquema, “Selfish Lives” reforça a imagem de banda cabeça da qual não há motivo algum para se envergonhar. “Eye9” tem roteiro futurista e instrumental tortuoso e penetrante, enquanto “Hourglass” consiste na irmã caçula de “In This Light” do disco anterior, com versos limpos e cadenciados e um refrão com forte carga emocional. Na reta final, “The Aftermath” ara o solo para a extensa faixa-título, que é como se fosse um meio-termo entre “Della Brown” e “Roads To Madness”, duas das antigas que permanecem vivas em nossos corações roqueiros.

É com muito orgulho que devo reconhecer que o tempo e os prêmios não fizeram o Queensrÿche relaxar. Na verdade, eles estão em meio ao maior surto criativo de sua história. E é questão de tempo até Geoff Tate entrar pro time dos ex-vocalistas especializados em apresentar-se em churrascarias de cidades do interior.

Marcelo Vieira (Colaborador)

Compartilhe
Assuntos

Veja também