
Resurrection Mary – “Moon Over Babylon” (2019)
FnA Records
#HardRock, #GlamMetal, #HairMetal
Para fãs de: L.A. Guns, Poison, Warrant
Nota: 8,5
No final dos anos 80/início dos anos 90, houve a proliferação das chamadas hair bands. A cada mês apareciam dezenas de novas bandas nas capas das revistas e na MTV. Todas elas tinham como objetivo ser o novo Mötley Crüe, o novo Poison ou o novo Guns N’ Roses. E assim como acontece no futebol, muitos foram os jogadores que quiseram, mas poucos foram aqueles que de fato conseguiram. Eis aqui mais um desses (muitos) casos.
O nome Resurrection Mary vem de uma famosa lenda urbana de Chicago: na história, passada na década de 1930, uma jovem chamada Mary é atropelada na saída de um baile. O motorista que a atropela foge, deixando Mary para trás, aguardando o doce abraço da morte. Desde então, o fantasma da jovem aparece na beira das estradas ou em clubes e bares locais, pedindo carona ou uma bebida, ou ainda que algum homem simplesmente faça-lhe companhia. Ou seja, um equivalente norte-americano a nossa “mulher de branco” [risos].
Tendo como integrante mais conhecido o vocalista Eddie Robison — que mais tarde integraria o Alleycat Scratch —, a banda obteve certa notoriedade na cena de Los Angeles em 1989, chegando a abrir shows para Badlands, Love/Hate e L.A. Guns. Foi nessa época que Tracii Guns se interessou pelo som do quinteto — completado pelos guitarristas Vince Flores e Glen White, pelo baixista Emmanuel Nadam e pelo baterista Xavier Tatouage — e se prontificou a produzir uma demo de cinco músicas e apresentar para a A&M Records, gravadora do L.A. Guns na época.
A A&M não se interessou, Tracii resolveu não dar murro em ponta de faca, o Resurrection Mary se separou e a tal demo se perdeu… Até que um verdadeiro mutirão de amigos, fãs e ex-integrantes conseguiram resgatar a fita produzida por Tracii e juntar a ela mais cinco músicas provenientes de outras demos para dar origem ao que a FnA Records põe no mercado como “Moon Over Babylon”.
Só não espere o Sleaze Rock sujo e quase Punk do Alleycat Scratch ou você irá se decepcionar. A faixa título, por exemplo, é repleta de melodia e totalmente radiofônica para os padrões de 1989, lembrando algo que poderia estar presente em um disco como “Flesh and Blood” (1990), do Poison. “Lost Children” é mais pesada, clima de caubói, com grande refrão, ótimas guitarras e a cozinha coesa que se manifesta ao longo de todo o álbum. A faixa que dá nome à banda é totalmente anos 1980, com um baita riff principal e Robison abrindo mão do rasgado que lhe é particular. “I Am Fire” se vale de uma cadência blueseira enquanto “Delta Train” muito se assemelha a “Shyboy”, clássico do Talas regravado por David Lee Roth em sua estreia solo, “Eat ‘Em and Smile” (1986).
Apesar de as faixas terem sido gravadas em ocasiões diferentes, o trabalho realizado em cima do material torna imperceptível qualquer diferença na qualidade. Palmas para a FnA pelo resgate que faz jus à uma época de grandes bandas grandes discos. Antes tarde… do que mais tarde. Se você é fã do estilo, dê uma carona para a Mary!
José Henrique
Colaboração: Marcelo Vieira





