Metal na Lata

Saxon – “Hell, Fire and Damnation” (2024)

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Saxon – “Hell, Fire and Damnation” (2024)

Silver Lining Music | Shinigami Records
#HeavyMetal #NWOBHM

Para fãs de: Judas Priest, Accept, Iron Maiden

Texto por Mauro Antunes

Nota: 9,0

Algumas bandas alcançaram durante a carreira um status cult de tal validade que cada notícia, cada vídeo, cada clipe, cada novo lançamento já é motivo para receber nossa atenção no momento oportuno. De longe, o Saxon adquiriu esse selo há muito tempo. E desta vez não foi pouca coisa não: simplesmente com seu novo álbum de estúdio, nada menos que o 27º (pelas minhas contas) trabalho dos britânicos, considerando aí os dois discos de covers e o de regravações, “Heavy Metal Thunder” (2002).

“Hell, Fire and Damnation” marca a estreia de um legítimo dinossauro da NWOBHM, falamos de Brian Tatler (guitarrista, Diamond Head) substituindo o lendário Paul Quinn. Como não poderia ser diferente, Tatler fez sua estreia em altíssimo nível fazendo dupla com o não menos lendário Doug Scarratt, que já está prestes a completar 30 anos de banda.

A introdução “The Prophecy” abre o tracklist para o primeiro grande momento que é a faixa-título que, além do fantástico clipe, mostra-se uma fábrica de riffs pesados, demonstrando aquilo que o Saxon faz de melhor com uma letra que questiona o ouvinte a escolher ser um filho de Satanás ou um cordeiro de Deus (quer um verso mais Heavy Metal que esse?). “Madame Guillotine” abre com um riff de baixo animalesco e uma levada Hard Rock. Aí a pancadaria volta com tudo na ultra pesada “Fire and Steel”, uma das faixas mais furiosas já produzidas pelos mestres.

Aí vem a minha preferida: uma sensacional levada de bateria, o riff principal (pelo amor de Deus!) que me lembrou a clássica “The Zoo” (Scorpions) de “Kubla Khan and the Merchant of Venice” impressionam, além de possuir referências literárias e históricas, fazem dessa a minha faixa preferida. “Pirates of the Airways” parece uma referência à própria NWOBHM com a passagem “There was a new wave coming, driven by the music, stoking the rebellion coming from the youth”; uma aula de nostalgia dos “velhinhos” que amamos.

“1066” é uma aula de guitarras e é uma referência à Batalha de Hastings que resultou na conquista normanda da Inglaterra. O encerramento vem com mais uma pedrada, “Super Charger”, deixando no ouvinte aquele gosto de quero mais.

Foram 3 audições na íntegra para que pudesse assimilar a proposta e atestar que o Saxon continua arrebentando mesmo após quase 50 anos de carreira. Tive a oportunidade de vê-los recentemente em São Paulo, e impressiona a energia e carisma de uma banda tão veterana. Depois de tantos anos lançando coisas boas, impossível não se perguntar: “Como não amá-los?”

“Thunderbolt” (2018) havia sido o último trabalho do Saxon que realmente me impressionou, e o nível aqui apresentado é tão alto quanto. Para nossa sorte, o lendário e genial Andy Sneap continua como produtor, e que o faça por todos os álbuns que o Saxon ainda fizer em sua carreira. Como pode um senhor como Biff Byford, que recentemente completou 73 anos de idade, estar com esse pique? É algo a ser estudado, e é claro que nós fãs, agradecemos aos céus por isso. Ouça o quanto antes!

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