Metal na Lata

Atheist – “Elements” (1993) (Relançamento 2023)

atheist_elements
Compartilhe

Atheist – “Elements” (1993) (Relançamento 2023)

Nuclear Blast | Shinigami Records
#DeathMetal #TechinicalDeathMetal #ProgressiveDeathMetal

Para fãs de: Death, Cynic, Obscura

Texto por Daniel Agapito

Nota: 9,0

“Elements”, terceiro álbum dos pioneiros do tech-death americano Atheist é mais um que estava inegavelmente à frente de seu tempo. Conhecidos por seu som inovador e diferenciado, o Atheist já vinha criando músicas completamente diferente do que havia na cena na época. “Elements”, seu terceiro LP e último antes de um longo hiato de material de estúdio (que foi quebrado com o lançamento de “Jupiter” de 2010) continua em uma linha parecida com a de “Unquestionable Presence”, seu segundo álbum, mas consegue ser mais ousado em algumas faixas.

“Green”, a faixa introdutória, já começa esbanjando influências do prog. Um aspecto que pode ser notado pelo álbum inteiro é a complexidade tanto das linhas de baixo (agora cortesia de Tony (ex-Cynic, ex-Pestilence). Com esta primeira faixa podemos ver claramente o destaque que é dado para estes dois instrumentos, sempre em conjunto. O baixista mistura diversas técnicas e o conjunto da bateria tocando ritmos pouco convencionais e as guitarras fazendo praticamente uma intermediação entre um e outro cria uma mistura praticamente incompreensível, diferente de tudo que havia na época. 

“Water”, a faixa que sucede “Green” continua nesta mesma linha; continua sendo muito boa. Mesmo com todas estas experimentações com outras vertentes musicais, a agressividade do death metal que víamos bastante no primeiro álbum do grupo (“Piece of Time”, de 1990) continua lá; mesmo que encoberta por outros elementos. 

A terceira faixa, “Samba Briza”, é um ótimo exemplo da disposição da banda à experimentar. Como já diz o título, é uma faixa de samba no meio de um álbum de death/prog metal. As quatro músicas instrumentais presentes no álbum (“Samba Briza”, Displacement”, Fractal Point” e “See You Again”) servem para dar uma quebrada boa no “Elements”, pois realmente fica difícil ouvir tantas faixas tão complexas, mas ainda agressivas em sequência.

O único fator que segura este LP, pelo menos do jeito que está atualmente é a produção. Por alguma razão, todas as versões do álbum disponíveis na internet (seja em serviços de streaming, YouTube) acabam tendo alguns momentos em que o audio estoura, criando uma experiência inconsistente. Como esta resenha foi feita com base nestas versões, é algo que realmente não dá para ignorar. De resto, a produção do álbum é certamente muito boa, com todos os instrumentos sendo individualmente tanto muito bem executados quanto muito bem produzidos, estando todos audíveis e timbrados com maestria.

Fecharei esta resenha de maneira similar às outras duas do Atheist, resumindo, se você ainda não ouviu o “Elements”, ou Atheist em geral, vá ouvir. Agora que o material do Atheist está de volta às plataformas de streaming, realmente não há desculpa para não ouvir. O terceiro trabalho dos pioneiros do tech-death mostre-a claramente que não tinham receio algum com experimentação e estavam dispostos à trilhar caminhos que nenhuma outra banda de death metal havia trilhado antes. “Elements” realmente faz jus ao status do Atheist como uma banda massivamente subestimada e “cult”. É incrível.

Compartilhe
Assuntos

Veja também