Metal na Lata

Bon Jovi – “Bon Jovi” (1984) (Relançamento 2023)

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Bon Jovi – “Bon Jovi” (1984) (Relançamento 2023)

Mercury Records
#HardRock #GlamMetal #HardNHeavy

Para fãs de: Def Leppard, Poison, Cinderella, Whitesnake, Motley Crue, Ratt

Texto por João Paulo Gomes

Nota: 8,5

Após criar várias bandas na juventude, como “Raze”, “The Rest”, “Jon Bongiovi & The Wild Ones” e “Atlantic City Express Way” – uma banda de covers de R&B com o tecladista David Rashbaum (Jon e David estudaram no Sayreville War Memorial High School) –, Jon Bongiovi (nascido John Francis Bongiovi Jr.) foi trabalhar como faxineiro no estúdio Power Station em NY. Seu primo Tony Bongiovi era sócio do local e já havia trabalhado com Jimi Hendrix, Ramones, Ace Frehley, entre outros. Jon achava que isso facilitaria a abertura das portas do mundo da música.

Ele então gravou sua primeira música oficialmente: “R2-D2 We Wish You A Merry Christmas”, de Meco Monardo e Daniel Oriolo, que fez parte de um disco de Natal inspirado em Star Wars. Após esta gravação, Jon enviou várias demos, incluindo uma produzida por Billy Squier, para diversas gravadoras que não o levaram a lugar algum. Decidiu então montar o supergrupo “The All Star Review” para gravar uma única faixa: “Runaway” (composição de Jon com George Karakoglou). Esse supergrupo contava com Tim Pierce (guitarra), Roy Bitten (teclados), Frankie La Rocka (bateria) e Hugh McDonald (baixo), sem esquecer dos backing vocals de David Grahmme e Mick Seeley (criador da introdução de “Runaway”), além do próprio Jon nos vocais.

Apesar de toda a esperança, “Runaway” foi recusada tanto quanto foi oferecida. Sem desistir, Jon foi até a rádio WAPP 103.5 FM “The Apple” e mostrou suas músicas para o DJ Chip Hobart, que adorou “Runaway” e a incluiu em uma coletânea de talentos locais da rádio, fazendo sucesso regionalmente no verão de 1983.

Aproveitando então o “sucesso” de “Runaway”, Jon resolveu montar uma banda de verdade. Chamou o amigo David Rashbaum (teclados), que chamou Alec John Such (baixo), que por ter tocado com Hector Samuel Juan “Tico” Torres na banda “Phantom’s Opera” o convidou para a bateria (nessa época, Tico estava no “Franke & The Knockouts”). Para a guitarra, Dave “The Snake” Sabo, amigo e vizinho de Jon, foi convocado.

Reza a lenda que em um dos primeiros shows, Richie Sambora foi convidado por Alec para assisti-los (eles haviam tocado juntos na banda “Message”). Richie gostou do que viu, foi ao camarim e disse a Jon que queria e iria fazer parte da banda. Apesar da recusa inicial de Jon, Richie insistiu e o restante faz parte da história. OBS.: Dave “The Snake” Sabo anos mais tarde foi parar no Skid Row.

Com “Runaway” nas rádios regionais, a Mercury Records assina com a banda (Derek Shulman, executivo da Polygram, gostou do que viu ao acompanhar o show deles de abertura para a banda “Scandal”) e Pamela Maher, funcionária de Doc McGhee, sugere o nome “Bon Jovi”, seguindo o exemplo de “Van Halen” (a outra opção seria “Johnny Electric”), o que claramente fez, a partir daquele momento, com que Jon Bon Jovi (já com sua nova alcunha) ficasse à frente da banda (como pode ser visto na própria capa do álbum).

Em 21/01/1984, começava então a história de uma das maiores bandas do rock americano. Produzido por Lance Quinn e Tony Bongiovi, o autointitulado álbum coloca finalmente o Bon Jovi nas paradas de sucesso, alcançando platina (US), ouro (Canadá e Suíça) e prata (UK). O álbum abre com “Runaway” e seu dramático riff de teclado, refrão cativante e um solo bem marcante (é a mesma versão enviada para as rádios com os músicos de estúdio). Além desse clássico, o álbum conta com “standards” como “Shot Through The Heart” (mostrando flashes do brilhantismo que a banda teria anos depois), além dos singles “Breakout”, “Burning For Love” (muito bons hard rocks) e “Come Back” (melhor refrão do álbum depois de “Runaway”).

“Get Ready”, a balada “Love Lies”, “Roulette” e o grudento single “She Don’t Know Me” (a única música que não foi composta por nenhum dos integrantes da banda, autoria de Mark Avsec membro do “Wild Cherry” e “Donnie Iris & The Cruisers”) completam o álbum. Como Jon disse: “Não nos tornamos uma boa banda até o terceiro álbum, mas tínhamos um baterista que conseguia marcar o tempo e isso já é algo que não se pode abrir mão. Eu até que me saí bem para um cara de 22 anos que não sabia nada sobre compor um vocal – onde você pega uma palavra e junta em ou com outra linha de uma faixa. Na época eu pensava: ‘Meu Deus, eu sou tão ruim que eles têm que juntar meus vocais’, mas o engenheiro de som me dizia: ‘Não se preocupe, Jon, até os grandes precisam compor um vocal’”.

É nítido que a banda ainda procurava seu som, mas mesmo assim é possível ver o lado positivo do álbum com composições interessantes, bons vocais, teclados em profundidade, cozinha sólida (se o Alec tocou ou não é outra história) e Sambora dando um show à parte, sendo técnico o suficiente sem ser exagerado. Previsível? Um pouco. Datado? Sim. Brega? Talvez. Mas extremamente viciante.

Neste aniversário de 40 anos do álbum, aproveite para (re)visitar através das plataformas digitais nas quais ele foi “relançado” com 9 músicas extras: 4 ao vivo gravadas em Tóquio em 1985 + 4 versões de “Runaway” + uma de “Come Back”. Para os fãs da banda, o álbum será relançado em vinil vermelho (na versão original, sem músicas extras) em março e em fita K7 (também na versão original) em abril de 2024. “Bon Jovi” já é quarentão, mas ainda é sensacional!

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