Sixty-Nine Crash – “Postcards from the Black Sun” (2018)

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Sixty-Nine Crash – “Postcards from the Black Sun” (2018)
Independente

#HardRock#AlternativeMetal#PostGrunge
Para fãs de: Black Veil Brides CZPapa RoachSixx: A.M.

Nota: 9,0

Reinvenção é um desafio primordial a ser superado por aqueles que pleiteiam a vitória. Tendo isso em mente, o Sixty Nine Crash se reinventou por completo em “Postcards from the Black Sun”. Não que seu primeiro trabalho — “Louder!” (2014) no qual o fiel da balança era o hard rock de formatos e texturas oitentistas — soasse datado, mas Jay (vocal), Davis (guitarra, que já tocou com gente do calibre de Joe Lynn Turner, Ted Poley, Tony Martin, Danny Vaughn e John Lawton, entre outros) e Andy (baixo), com essa nova abordagem, afastam todo e qualquer risco de se perder nas esquinas da mesmice.

A estética abraçada — inclusive nos lápis e delineadores — é a mesma de bandas como Black Veil Brides e Sixx:A.M., que preservam em seu âmago o foco nos refrões, nos ganchos, no fator “sing-along”, mas reconhecem que a tecnologia está aí para ser usada. As benesses do digital, a possibilidade das infinitas camadas em sobreposição, a multiplicação de pistas a fim de obter aquele paredão sonoro, o uso de efeitos sonoros que conferem atmosferas tanto distópicas quanto cyberpunk; tudo que para os ouvidos mais puristas soaria como heresia constitui o fio condutor da obra cujo regente é o genial produtor Celo Oliveira, quarto integrante honorário e arquiteto musical responsável pelo que se ouve aqui.

Mas em meio às trovoadas e distorções, nota-se o fator que mais confere legitimidade à proposta do grupo: as letras, assinadas por Jay, trazem a emoção exata. Música como terapia, como ferramenta para se lidar com os momentos mais difíceis da vida; arte que oxigena, cicatriza o coração partido. A maneira como canta, trazendo à tona um alcance inédito para quem o acompanha desde os primórdios, é o dispositivo de saída ideal para a lancinante “Heavens Cry” — baseada numa triste história real de violência —, ou mesmo para “Warfield” e “All Lies Are True”, cujos objetos de revolta podem variar de acordo com a experiência pessoal do ouvinte. Eis aqui mais um segredo revelado: quando o ouvido ressoa no peito e faz refletir e interpretar, saiba que você está diante de algo especial e plural.

Passados os quarenta minutos de audição, conclui-se que, se estagnação é sinônimo de ruína, o segredo é mesmo arriscar, pois a mudança não é para covardes. Que o reencontro da banda com os palcos não demore a acontecer.

Marcelo Vieira

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