Solemn Echoes – “Into The Dephts Of Sorrow” (2021)

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Solemn Echoes“Into The Dephts Of Sorrow” (2021)
Endless Winter Label
#FuneralDoomMetal, #AtmosphericFuneralDoomDeathMetal

Para fãs de: Shape Of Despair, Clouds, Doom:vs, Saturnus, Desire

Nota: 9,0

Imersão, refinada melancolia, inúmeras camadas e galerias sonoras; atmosferas progressivas que por vezes se elevam em sinfonias majestosas, cadencia e introspecção. Todos os ensinamentos do Funeral Doom Metal se fazem presentes em “Into The Dephts Of Sorrow” — o primeiro registro do projeto Solemn Echoes.

Trajado por uma bela ilustração do genial Adam Burke, o supracitado “Into The Dephts Of Sorrow” é o resultado da soma de ideias e inspirações em comum de John McGovern e Fabio De Paula — ambos vindos de dois expoentes do também supracitado Funeral Doom Metal. No Caso, o primeiro citado é o porta-voz do Chalice Of Suffering (banda de Minneapolis que já possui dois belíssimos discos na bagagem) e Fabio; guitarrista e vocalista do gigante HellLight (que atualmente se prepara para lançar seu sétimo trabalho). Completam o projeto o baterista Aaron Lanik, o baixista Alexandre Vida e o tecladista Jeff Johnson (um dos alicerces da sonoridade do projeto).

Musicalmente não há inovação alguma ao longo dos oito temas que preenchem o trabalho, o que de maneira alguma afeta ou reduz a qualidade do mesmo. Digamos que experimentações sonoras são sempre interessantes, mas algumas, quando não sabiamente dosadas acabam por deformar ao invés de agregar mais beleza e substancia. Na dúvida, aposte na veracidade dos sentimentos e no tradicional (o simples não permite erros). Nesse aspecto, o disco ascende, pois, não há muito o que desvendar, porém, há muito o que sentido e contemplado.

A introdução “The Comfort Of The Abyss” cria toda uma ambientação misteriosa para a amarga e solene “After I’ve Taken My Last Breath” (pouco mais nove minutos de desespero e atmosferas densas). A partir do terceiro tema a sonoridade do projeto toma formas e vai se dilatando. A elegia “The Cold Wind Blows” apresenta numa só personalidade características tanto do Chalice Of Suffering quanto do HellLight — paisagens inóspitas e depressivas aliadas a uma magnitude melódica que vai crescendo junto ao desenvolver da composição. O contraste entre os vocais de John e da convidada Tama Singer (Zeresh, Autumn Tears) elevam e muito a beleza da mesma. “Abandoned” é mais um momento singelo do disco, assim como suas sucessoras “A Worthless Disgrace” e “Solitude Of The Dying”. A faixa título completa a diadema que é o disco; cujos destaques são novamente os vocais de John, os singulares escritos de guitarra de Fabio e o notável bom gosto do tecladista Jeff Johnson.

Doom Metal definitivamente não é um gênero dos mais fáceis de se ouvir, tão pouco apreciar, o Funeral Doom muito menos. Ele requer paciência, sensibilidade e um certo apreço pela introspecção. O Solemn Echoes entregou, por fim, uma bela primeira amostra de suas ambições (espero que venham outras). Um trabalho muito elegante, sentimental e equilibrado, tanto em suas similaridades quanto em seus contrastes — Funeral Doom Metal em estética, conteúdo e razão.

Fábio Miloch

 

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