
Stone Temple Pilots – “Stone Temple Pilots” (2018)
Warner Music
#RockNRoll, #HardRock, #AlternativeRock
Para fãs de: Alice in Chains, Pearl Jam, Screaming Trees
Nota: 8,5
Quando em 1997 os então remanescentes do Stone Temple Pilots, Dean DeLeo (guitarra), Robert DeLeo (baixo) e Eric Kretz (bateria), se juntaram ao vocalista Dave Coutts e lançaram “Talk Show”, álbum que também dava nome a banda, muitos torceram a cara, pois mesmo sendo um trabalho com a assinatura dos irmão DeLeo e com muito do que era o Stone Temple Pilots, faltava alguma coisa ali. E o que faltava era nada mais, nada menos do que a voz de Scott Weiland. Obviamente que, por razões contratuais, o CD não poderia ser do Stone Temple Pilots, mesmo que Weiland estivesse em mais uma das tantas internações para tratamento do vício em heroína, bem como trabalhando em seu primeiro álbum solo. Assim como o EP “High Rise”, lançado em 2013 sob o nome “Stone Temple Pilots with Chester Bennington“, que também se encaixa na mesma situação, sendo que agora o grupo manteve o nome após vencer na justiça os direitos de uso do nome, novamente não era o Stone Temple Pilots. E, acredito que todos já saibam o porquê.
Pois bem, agora em 2018 o grupo lança “Stone Temple Pilots”. Infelizmente, a voz presente neste trabalho não é a do saudoso e talentosíssimo Scott Weiland. Encontrado morto em dezembro de 2015, Scott foi e sempre será a voz definitiva do grupo. Mas é preciso que se diga em alto e bom som: “Stone Temple Pilots” é sim, um trabalho do STONE TEMPLE PILOTS! Anunciado oficialmente em novembro do ano assado, Jeff Gutt guarda uma incrível semelhança nos vocais com os de Weiland. Se para muitos isso pode soar como cópia, para outros (e me incluo entre esses) essa semelhança deu aos irmão DeLeo uma liberdade maior na hora de compôr, tendo em vista a maior versatilidade de Jeff. E dessa forma, “Stone Temple Pilots” é sim, um baita de um disco.
Remetendo ao excepcional “Tiny Music… Songs From the Vatican Gift Shop” (1996) e também a “Shangri-La Dee Da” (2001), o novo trabalho traz excelentes composições e mostram que a banda fez certo ao apostar suas fichas no novo vocalista e manter o nome do grupo. Se não vejamos: “Middle of Nowhere” é uma música totalmente STP! Com aquela vibração característica do grupo, Dean DeLeo mostra que sua guitarra é uma das mais criativas de sua geração. Altamente influenciado pelos grandes guitarristas dos anos 70, o músico cria ótimas linhas que se completam com o que Robert DeLeo faz com seu baixo. Mas, mesmo que os irmão acabem sendo a referência, sem deixar de citar o baterista Eric, o grande destaque do álbum é mesmo Jeff Gutt. E quem está escrevendo aqui é um dos maiores fãs de Scott Weiland. Prestem atenção nos vocais de faixas “Guilty”, “Meadow” (uma daquelas faixas que só bandas como o próprio STP conseguem criar com maestria), onde a semelhança com Scott beira o inacreditável, “Six Eight”, a bela “Thought She’d Be Mine”, a pesada “Roll Me Under” (que lembra as faixas de “Core”, lançado em 1992), “Never Enough”, a singela “The Art of Letting Go”, “Finnest Hour” e “Good Shoes”, e tentem me dizer que estou errado.
“Stone Temple Pilots” é um álbum superior a “Nº 4” e seu homônimo lançado em 2010. E mesmo que o grupo hoje não tenha mais o talento (e também todos os problemas) de Scott Weiland, ao ouvirmos esse trabalho, podemos afirmar que a banda ainda tem muito a oferecer. Uma escolha mais do que acertada e muita inspirada. Assim podemos definir “Stone Temple Pilots”, um álbum que mantém a qualidade e classe do legado da banda.
Obs: o vídeo é de um show recente do grupo no festival Rock on the Range.
Sergiomar Menezes





