
The Ugly Kings – “Darkness Is My Home” (2018)
Kozmik Artifactz
#BluesRock, #ClassicRock, #StonerRock
Para fãs de: The Black Keys, Rival Sons, Royal Blood
Nota: 9,5
A realeza está com tudo ultimamente. Poucos dias após ser agraciado com o novo do Palace of the King, eis que recebo “Darkness Is My Home”, aguardada estreia dos também australianos do The Ugly Kings. O som, definido pelos próprios como power blues é, na verdade uma mistureba: o baixo trovejante isolado remete ao Royal Blood que vi ao vivo em 2015, enquanto a timbragem da guitarra parece obra de Jack White. O vocal não esconde sua pretensão em ser um Jim Morrison mais lamacento, e a construção musical nos faz indagar se a influência-mór dos caras é o Black Sabbath — para quem abriram na etapa australiana da turnê “The End” — ou o Arctic Monkeys. Se indie e doom têm como se encontrar em algum ponto no meio do caminho, certamente o fazem em “Black Widow”.
A qualidade é preservada quando a abordagem pesada cede o lugar para um Rock N’ Roll mais purista, com “You and Me” consistindo em algo que os Stones fariam nos anos 1960, só que com uma “canastrice” mais forjada do que legítima. Lançada inicialmente como um 7″ limitado e posteriormente escolhida para videoclipe, “Promised Land” é outra das prediletas: nela, o fator catalisação encontra seu melhor representante. A letra, uma atualização das angústias dos ‘bluesmen’ do início do século passado movida à destilados de quinta, é dilacerante. Musicalmente, os diversos panoramas parecem acompanhar o que é cantado, como lapsos de sobriedade em meio à embriaguez (ou seria o contrário?). A cereja do bolo vem na forma de uma versão para “Lazarus”, do derradeiro álbum de David Bowie, que não faria feio em “How Gods Kill”, do Danzig.
Disponível em CD, LP e em formatos e plataformas digitais, “Darkness Is My Home” é tão bom, mas tão bom, que nos deixa ansiosos (e esperançosos) para ver o The Ugly Kings crescer — e assumir o posto deixado pelo Royal Blood após seu segundo e mais recente álbum, que é de amargar.
Marcelo Vieira





