Temperance – “Of Jupiter and Moons” (2018)

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Temperance
 – “Of Jupiter and Moons” (2018)

Scarlet Records
#SymphonicMetal#MelodicMetal

Para fãs de: AmarantheEdenbridge

Nota: 8,5

A banda italiana Temperance tinha um trabalho ardiloso pela frente: sair de vez da sombra do Amaranthe e se estabelecer como uma referência no pop sinfônico, dando continuidade para a fórmula com dois vocalistas (um de cada sexo) e abusando das melodias chiclete bem ao estilo pop music.

A primeira parte do trabalho foi bem-sucedida. “Of Jupiter and Moons” traz uma sonoridade mais particular, fugindo do peso e das levadas pop evidentes e explorando sonoridades mais cadenciadas, com o foco na melodia e nos riffs. Destaque para a música “The Art of Believing” que traz um rock organ bem anos 70 para contrastar com a massa sinfônica que permeia a grande maioria das músicas.

Quanto a se tornar referência na área, é cedo para dizer. A vocalista Alessia Scolletti fez um bom trabalho, dando aos versos o clima que eles precisam. O grande barato do disco é o frequente embate entre a voz de Alessia com a do outro vocalista, Michele Guaitoli. Em Broken Promisses, por exemplo, a voz dele ganha destaque em meio ao contagiante refrão.
Se “temperança” significa “guardar o equilíbrio”, uma virtude de “Of Jupiter and Moons” foi justamente saber colocar na balança as duas vozes da banda. Ao contrário do que normalmente ocorre com bandas do estilo onde a voz feminina ocupa bons 80% das linhas vocais.

Michele (na Itália é comum o uso de nomes que em português são femininos) fez um bom trabalho, principalmente lá para o final em “Empires and Men” onde ele arrisca um registro grave e limpo que logo é intercalado com a voz de Alessia.

Outro destaque é a música que dá nome ao álbum que começa com um ótimo riff de piano lembrando a fase áurea de Edenbridge e Dreamtale. A música continua com a melodia sussurrada e um acompanhamento de piano. A aposta em melodias fáceis e que marcam logo foi muito acertada, embora a banda pudesse ter arriscado mais fora dos elementos sinfônicos. Outro ponto negativo é que a banda não usa tecladista, algo que empobrece o estilo e a qualidade das linhas orquestradas.

“Of Jupiter and Moons” traz novidades em relação aos trabalhos anteriores dos italianos e consegue afastar a sombra do Amaranthe. A banda segue em um crescente e, com esse novo registro, pode ver mais portas abertas. Por fim, a escolha por abraçar as melodias fáceis merece aplausos em um cenário onde o metal clama por técnica e complexidade.

Gustavo Maiato

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