
Tiamat – “The Astral Sleep” (1991)
Century Media Records | Cold Art Industry Records 2.0 | Metal Relics | Rising Records
#DeathMetal, #DoomMetal
Para fãs de: Black Sabbath, Candlemass, Moonspell
Nota: 8,0
Em meados de 1991, o Tiamat já era uma banda completamente diferente tanto daquela que se ouve em “Summerian Cry” (1990) quanto da que atendia pelo nome de Treblinka, no final dos anos 80. Para concentrar seus esforços no Expulsion, o guitarrista Stefan Lagergren e o baterista Anders Holmberg disseram adeus, sendo substituídos por Thomas Wyreson e Niklas Ekstrand. Só que mais do que guitarrista, Lagergren era também o principal compositor do grupo. Com sua saída, coube ao vocalista (e multi-instrumentista) Johan Edlund assumir esse papel e também o de dono da banda.
O primeiro fruto dessa nova encarnação – completada pelo baixista Jörgen “Juck” Thullberg – foi “A Winter Shadow” (1991), single cuja repercussão acabaria assegurando ao quarteto um contrato com a alemã Century Media, que não só o relançaria, juntamente com seu lado b, “Ancient Entity”, como parte da hoje em dia histórica coletânea “In The Eyes Of Death” no mesmo ano, como também se tornaria a casa do Tiamat pelos próximos dezesseis anos.
“The Astral Sleep” veio logo na sequência de “In The Eyes Of Death” apresentando ao mundo um Tiamat menos afeito às táticas de choque extremas de seus primórdios – para se ter uma ideia, Treblinka nada mais é do que o nome de um campo de extermínio na Polônia, onde 87 mil judeus foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial – e, consequentemente, menos death metal, enquanto traz à baila novas diversas influências, sobretudo do Candlemass, cujo pioneirismo no doom metal a assegurou como uma das bandas mais bem-sucedidas da história da Suécia.
As novas texturas e timbragens do instrumental refletem nas novas letras de Edlund, que passam longe de ser meras adorações ao demônio – ainda que uma ou outra não possam ser classificadas de outra maneira. Como letrista, o cara alcança um nível superior ao tratar de temas como a aceitação da mortalidade e a busca pela paz na suposta vida eterna. Escreve também sobre os prazeres da carne (“Lady Temptress”) e descreve uma experiência extracorpórea (“Sumerian Cry (Part III)”).
Relançado no Brasil em 2019 em edição caprichada com slipcase e bonus tracks, “The Astral Sleep” traz em seu DNA muitos dos elementos que compõem a receita vitoriosa do clássico “Wildhoney”, lançado três anos mais tarde e que viraria do avesso o mundo do metal. Quer mérito maior do que esse?
Marcelo Vieira





