Tornado Babies – “Demo-Lition” (2019)

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Tornado Babies – “Demo-Lition” (2019)
FnA Records
#HardRock

Para fãs de: New York DollsGuns N’ RosesFaster Pussycat

Nota: 8,5

Após o fim trágico do Hanoi Rocks, quatro rapazes de Gotemburgo radicados em Londres decidem formar uma banda no mesmo estilo de seus heróis. Uma porrada de músicos passou pelas fileiras do Tornado Babies até este se estabilizar com Harry (vocais), Kenny e Beppe (guitarras), Paul (baixo) e Senap (bateria), que seria substituído por Danne pouco antes da gravação de “Eat This” (1991). Em 1993, um segundo álbum chamado “Delirious” viria juntamente com um efêmero auge de popularidade: o quinteto abriria para o Motörhead em algumas datas da etapa sueca da turnê de “Bastards” em dezembro daquele ano.

A coisa seguiria aos trancos e barrancos, incluindo mudanças na formação e até mesmo um redirecionamento musical, até 1997, quando subiram ao palco pela última vez. Em 2013, contra tudo e contra todos, o line-up responsável por “Eat This” se reuniu para alguns shows. Sem tempo para compor novidades, optaram por lançar uma inédita dos áureos tempos (“Bored Beyond Belief”). Somente quando “I’m Back” foi lançada, o interesse no Tornado Babies foi reacendido através de convites para shows nos Estados Unidos e na Noruega, onde dividiram o palco com as Backstreet Girls.

Aproveitando o bom momento e vislumbrando as possibilidades desta volta — que inclui planos para um terceiro álbum —, a FnA Records lança “Demo-Lition”, que nada mais é que um apanhado de demos e sobras até então condenadas às profundezas do armário e que comprovam que às vésperas de seu colapso inicial, o quinteto tentou, sim, banhar-se na fonte do AC/DC — repare nos riffs baseados em powerchords — e assumir uma postura meio Guns N’ Roses — sobretudo nos vocais de Harry, que bebem na fonte nasalada de Axl Rose —, só que sem esbanjar recursos, afinal, isso eles não tinham. Ou seja, o que começou como praticamente um tributo ao lado mais ‘stoniano’ do hard rock, acabou como um precursor acidental do que ficaria conhecido — e se tornaria um fenômeno na Escandinávia — como sleaze rock.

Parte dessa metamorfose deve-se ao fato de o Babies ter tido dias de porta giratória de músicos — exemplo disso é “Too Fast to Live”, que aparece em duas versões, sendo a primeira, com Robban cantando, o mais puro New York Dolls —, parte vai pra conta das tendências de mercado, as quais adotaram com certo atraso em relação a alguns de seus pares mais bem-sucedidos. Ainda assim, guardadas as devidas proporções, produziram material consistente, eventualmente esbarrando no datado, mas nunca apelando para modernidades à época duvidosas.

A satisfação só não é maior porque ainda não inventaram tecnologia capaz de restaurar rolos de fita de três décadas atrás preservando a integridade da gravação. Prepare-se para uma oscilação de volume aqui, um instrumento muito baixo ali e outras coisas inerentes a demos de poucos canais — nada que atrapalhe a experiência, no entanto. Por fim, vale mencionar que o envolvimento da banda foi tamanho que cópias autografadas encontram-se disponíveis em quantidade limitadíssima através do site oficial da FnA Records.

Marcelo Vieira

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