
Vain Vipers – “Vain Vipers” (2019)
Volcano Records & Promotion
#HardRock, #GlamRock, #GlamMetal, #HairMetal
Para fãs de: Poison, Faster Pussycat, Pretty Boy Floyd
Nota: 9,5
Vem da Itália o mais novo postulante ao trono do Glam europeu.
Quando a dupla Wild (guitarra) e Scott (baixo) desertou do Cryin’ Angels em 2013 não imaginava que levaria pelo menos três anos até sua nova empreitada entrar nos trilhos. Com a entrada do vocalista Mick, em 2016, e posteriormente do batera Aaron, o Vain Vipers finalmente atingiu a tão sonhada estabilidade na formação; ingrediente fundamental na busca por reconhecimento e remuneração.
Visual e musicalmente, o quarteto embriaga-se na fonte das hairbands norte-americanas de quase quatro décadas atrás: ao laquê, às leggings e ao glitter somam-se riffs de guitarra com inspiração nos “basicões e pentatônicos” Poison, Faster Pussycat e Pretty Boy Floyd. O clima despretensioso e o foco no entretenimento desprovido de mensagem social ou ambição de reinventar a roda fala mais alto que a necessidade de empregar técnicas avançadas de punheta guitarrística, bumbos/pedais duplos ou qualquer outro quê metálico que acabaria soando alheio à proposta.
Diz Platão que “de todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de domar.” A juventude, provavelmente, é o maior trunfo do Vain Vipers: suas letras são o retrato de seu universo hormonal e volátil, de uma realidade que sabe que o “rock and roll dream” é coisa do passado e que viver de música nos dias de hoje requer muito mais do que paixão, talento e um plano b para o caso de dar merda. É muito mais legítimo e plausível uma garotada cantando sobre encher a cara e sair trepando por aí do que caras beirando os cinquenta (ou até mais) querendo pagar de xoxoteiros e beberrões sem lei, não?
Prepare-se para uma das melhores meias horas — ok, quase quarenta minutos — de 2019. A empolgação beira a de quando ouvi “Rest in Sleaze” (Crashdïet) ou a estreia do Reckless Love pela primeira vez. É como estar diante de um diamante em processo de lapidação; de um gigante prestes a acordar. Vejo, ouço e sinto no Vain Vipers o futuro do Glam, e isso é o suficiente para me proporcionar um sono tranquilo. Que tenham sorte e sabedoria ao longo do caminho.
Marcelo Vieira





