
Warrant – “Cherry Pie” (1990)
Sony Records
#HardRock, #HairMetal, #MelodicRock
Para fãs de: Bon Jovi, Poison, Winger, Lynch Mob
Nota: 8,5
Algumas correntes afirmam que bandas como Warrant e álbuns como “Cherry Pie” tornaram o Grunge inevitável. Outras que o Nirvana foi responsável pelo fim do “Hard Rock”. Mas não creio que o Nirvana seja o responsável e muito menos o Warrant. O próprio estilo, com as gravadoras apostando em qualquer banda sem critério algum, ficou saturado.
Aliás, “Cherry Pie” talvez seja um dos últimos grandes álbuns do estilo antes do estouro da “bolha”. Vamos então ao álbum (e à música!)!
Repetindo a formação do álbum anterior a banda, após finalizar o novo álbum, é obrigada a voltar ao estúdio, pois Jani Lane foi informado não haver nenhum “hit” entre as novas canções. Mesmo puto, entre quinze e quarenta e cinco minutos, ele escreveu “Cherry Pie”, a música, (mescla de “Dr. Feelgood”, “Pour Some Sugar On Me” e “Lovin’ Every Minute of It”) na parte de trás de uma caixa de pizza contendo todos os clichês do “Hair Metal” e a dedicou ao presidente da Sony Records, praticamente mostrando-lhe o dedo do meio.
“Cherry Pie”, a música, então, se torna benção e maldição. Feita para ser irônica e divertida com uma das metáforas mais mal disfarçadas já criadas, ela é dinamite pura! Totalmente desprezível, insanamente viciosa e cativante ao extremo, contém todas as extravagâncias do estilo (a banda sofreu muito com isso). Até o álbum teve seu título alterado (seria “Uncle Tom’s Cabin”).
Mas “Cherry Pie”, o álbum, lançado em 11 de setembro de 1990, não possui apenas “Cherry Pie”, a música. Ele é multidimensional e brilha, quase, do início ao fim.
A fantástica e singular “Uncle Tom’s Cabin”, nome de uma peça clássica da literatura da era da escravidão de Harriet Beecher Stowe, mostra o porquê seria a música de trabalho e o título do álbum. Em vez de festas, garotas e corações partidos conta a estória do encobrimento de um assassinato. Memorável! “Falando” em corações partidos Jani Lane se veste de emoção na brilhante “I Saw Red” (baseada em sua própria vida). Uma das baladas mais definitivas do “Hard Rock”. “Falando” em baladas, o álbum possui mais duas: “Blind Faith” (a “power ballad” que o Bon Jovi nunca escreveu) e “Bed Of Roses” (super agradável).
Mas, “Cherry Pie”, o álbum, é puro petardo: “Mr. Rainmaker” (incrível e poderoso a la Winger), “Love In Stereo” (excepcional homenagem ao “threesome”), “Sure Feels Good To Me” (estimulante e hedonista), “You’re The Only Hell Your Mama Ever Raised” (contrasta a educação religiosa de Jani Lane e o estilo de vida da estrada) e “Train Train” (cover do Blackfoot, mas que o Warrant tomou para si).
Produzido por Beau Hill (Alice Cooper, Kix, Winger, Streets, Fiona, Europe, Ratt), que ajudou a definir o som do “Hair Metal” de L. A., o álbum conta com diversas participações. Algumas creditadas (C.C. DeVille, Bruno Ravel e Steve West em “Cherry Pie”) e outras não (Dee Snider na abertura de “Cherry Pie” (sampler de “I Want This Night (To Last Forever))”, Tommy Girvin (Eddie Money, Heart) e, claro, Mike Slamer (City Boy, Streets, Steelhouse Lane, Seventh Key, Devil’s Hand) que anos mais tarde “confessou” ter composto e tocado as partes de guitarra dos dois primeiros álbuns da banda.
“Cherry Pie”, o álbum, é um dos melhores exemplos do “Hard Rock” que não renega sua origem ao mesmo tempo em que se distancia com algumas composições mais “maduras”.
Se você não conhece este álbum está mais do que na hora de provar a “torta de cereja”!
João Paulo Gomes





