
White Tiger – “White Tiger” (1986)
EMC Records
#HardRock, #GlamMetal, #HairMetal
Para fãs de: Kiss, Black Sabbath, Silent Rage
Nota: 3,0
Exemplo de clube dos malfadados dos anos 1980, o White Tiger contava com dois dos maiores pés frios que a história do rock já viu: o guitarrista Mark St. John, que gravou “Animalize” (1984) com o KISS e fez meia dúzia de shows até ser obrigado a se afastar por problemas de saúde, e o vocalista David Donato, que integrou o Black Sabbath por tempo suficiente para gravar uma demo — “No Way Out”, estágio embrionário de “The Shining” — e conceder uma entrevista que lhe custou o melhor emprego que poderia sonhar em ter. Completavam a formação, sem ter noção do tamanho da roubada na qual estavam se metendo, o irmão de Mark, Michael Norton, no baixo, e o exímio baterista Brian James Fox, futuro substituto de Jerry Grant no Silent Rage.
Em 1986 — curiosamente, ano do tigre, segundo o horóscopo chinês —, o rock já contava tanto com Whites (Lion, Sister, Wolf) quanto com um Tiger até que famosinho, o Glass. Pior que isso, na verdade, era o fato de o híbrido de hard e heavy praticado pelo quarteto depender um bocado da imagem de seus integrantes. Nesse quesito, Mark e seus companheiros tampouco são favorecidos: caras feios, ainda que pomposamente vestidos e penteados, dificilmente obteriam o mesmo destaque daqueles que marcavam presença na parede e no imaginário da mulherada.
Filiado ao minúsculo selo EMC Records, cujo único lançamento que se tem notícia é justamente o seu primeiro e único LP, o White Tiger arrancou elogios de ninguém menos que Derek Oliver, da Kerrang!, que declarou de forma pública e solene: “Esta é a melhor banda de Los Angeles.” Confesso que o som até que empolga à primeira ouvida, mas com o passar do tempo e sob a luz da razão, é impossível não se sentir diante de um disco em que praticamente tudo varia entre o ruim e o medíocre. Muita coisa incomoda: a produção é precária, os arranjos, previsíveis, as letras, banais para dizer o mínimo, parecem ter sido escritas na madrugada anterior à gravação. Mark nem parece o mesmo cara que compôs medalhões como “Heaven’s On Fire” ou “Thrills in the Night”. A preguiça parece ter-lhe tomado conta. O canto nasalado de David é limitado a ponto de sentirmos raiva de Tony Iommi: onde ele estava com a cabeça quando pensou que o cantor cujo apelido era “Donut” daria um bom suplente à vaga deixada por Ian Gillan?
Aperta-se o play e o que se ouve é uma tentativa de hino, “Rock Warriors”, na qual o quarteto se atribui uma liderança que só existiu em suas pretensões de estrelato infladas por um suposto currículo de dar inveja e por uma imprensa que tendia a encher a bola de qualquer porcaria oriunda de L.A. A coisa melhora na faixa seguinte, “Love/Hate”, minha predileta, e em “Northern Wind”, por mais que a narrativa pareça fruto de uma maratona de opiáceos. Outro bom momento, “Still Standing Strong” parece antever um futuro que jamais existiu: o White Tiger não seria forte o bastante para sobreviver ao fiasco de sua primeira empreitada.
Marcelo Vieira





